João Carlos Magalhães, Folha de São Paulo
O Ministério Público Federal no Pará pediu que a Polícia Militar do Estado explique porque policiais deixaram de dar segurança a servidores do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) durante ações de fiscalização.
Em ofício enviado ao comandante-geral da PM local, Augusto Leitão, o procurador da República Felício Pontes diz que a situação coloca em risco os fiscais ambientais.
Conforme reportagem da Folha publicada no início do mês, funcionários do órgão federal entendem que o não acompanhamento policial é uma maneira de frear as operações contra o desmatamento ilegal e os consequentes desgastes num ano em que a governadora Ana Júlia Carepa (PT) tenta a reeleição.
No documento enviado, Pontes lembrou a tensão que ocorre em Anapu (PA).
O assentamento na cidade pelo o qual foi morta em 2005 Dorothy Stang, missionária norte-americana naturalizada brasileira, vem sendo invadido por madeireiros desde o final do ano passado.
Isso aumentou o risco de violência na região, uma das que mais sofrem assédio de madeireiros na Amazônia atualmente.
Recente missão do Ibama no local teve de deixar a cidade "por questão de segurança", afirma Felício.
A Procuradoria já pediu a ida da Força Nacional de Segurança para Anapu. Formalmente, o pedido foi aceito. Mas, na prática, ele nunca se realizou.
O procurador também lembra que há até um acordo de cooperação entre a PM e o órgão federal para facilitar a presença de policiais militares nas missões, que não vem sendo cumprido.
A reportagem contatou a assessoria do governo, que até agora não ligou de volta. Antes, ela já havia dito que o gestão estadual apoia a fiscalização e não protege quem destrói a floresta.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Ora, o Ministério Público nem deveria perder seu tempo com pedido de explicações. Basta ver quem governa o Pará, ora bolas. Se nem mandados judiciais de reintegração de posse de áreas invadidas pelo MST a Polícia Militar não cumpre por ordem do governo Estadual, vai agora dar segurança para a turma do IBAMA que tenta fazer seu trabalho de fiscalização para evitar o contrabando de madeira? É esperar demais desta gente...