Leila Suwwan, O Globo
SÃO PAULO - A consultoria oferecida pelo empresário Edgar Cardeal tentou tirar do papel um projeto de R$ 1 bilhão em parques de energia eólica no Rio Grande do Sul graças a uma "parceria" com a Eletrosul, cujo Conselho de Administração é presidido por seu irmão, Valter Cardeal, atual diretor de Engenharia da Eletrobras e homem de confiança da presidenciável Dilma Rousseff (PT) no setor elétrico.
O empreendimento só poderia ser apresentado às autoridades do setor elétrico e participar dos leilões públicos de energia após a realização de estudos técnicos, que durariam dois anos. Mas a prefeitura petista do pequeno município de Pinheiro Machado (RS) - onde alguns dos parques seriam instalados - chegou a anunciar e comemorar, em abril deste ano, a "parceria" entre a empresa ECBrasil e a Eletrosul, que cederia os dados captados por uma torre instalada na região.
Edgar foi um dos mentores do empreendimento
O site da prefeitura afirma que foi o próprio Edgar Cardeal, que se apresenta no município como "sócio" da ECBrasil, que informou às autoridades locais da parceria:
"A ECBrasil deu um importante passo para a realização do parque eólico na cidade. 'Em parceria com a Eletrosul, a empresa tem a possibilidade do uso dos dados anemômetros (de velocidade do vento) da torre instalada há cerca de dois anos' afirma o vice-prefeito José Antônio Rosa".
E segue: "Rosa conta que o sócio da ECBrasil, Edgar Cardeal, informou que esta parceira possibilita que a empresa participe do próximo leilão de energias ainda este ano, e não mais em 2012, como previam os membros da organização."
Edgar Cardeal, conforme revelou reportagem da "Folha de S.Paulo", foi contratado como "consultor" da ECBrasil. Ricardo Pigatto, presidente da empresa, confirmou que Edgar foi uma espécie de mentor do empreendimento: "Ele trouxe a oportunidade e me propiciou contato com alguns proprietários de terras".
Edgar, dono da DGE Desenvolvimento e Gestão de Empreendimentos, teria remuneração mensal pelos estudos de viabilidade do projeto e ganharia uma "taxa de sucesso" de 0,2% a 10% do total se os parques fossem vendidos a terceiro ou conseguissem vender energia leilões públicos de energia reserva, que são de responsabilidade da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Os dois irmãos sustentam que não há conflito de interesses entre o cargo de Valter Cardeal na Eletrobras e a atuação no setor privado de Edgar Cardeal. Valter Cardeal é um dos braços direitos de Dilma Rousseff no setor elétrico. A assessoria de imprensa da Eletrobras não informou sobre a suposta parceria com a Eletrosul. No site da Eletrosul, não há menções sobre o empreendimento em Pinheiro Machado.
Energia eólica ganhará R$ 10 bilhões do PAC2
O negócio de energia eólica está em franca expansão, alavancado pela previsão de investimentos de quase R$ 10 bilhões do PAC2, idealizado pela candidata Dilma Rousseff.
A Eletrosul já tem participação societária em três empreendimentos de geração de energia eólica no estado com uma empresa alemã do ramo de aerogeradores - o grupo venceu um leilão para exploração desse tipo de energia alternativa em dezembro do ano passado e as usinas serão implantadas até 2012.
O prefeito de Pinheiro Machado é Luiz Fernando Leivas (PT) e seu vice, José Antonio Rosa se apresenta como "facilitador" do negócio na cidade, que tem cerca de 16 mil habitantes. Segundo os informativos da prefeitura, se a ECBrasil tiver sucesso no leilão, as obras poderiam começar em 2011.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Inquirida a respeita da atuação do Cardeal, Dilma se saiu culpando o banco alemão e afirmando tratar-se de fofoca de período eleitoral. Será apenas fofoca? Creio que não.
Bem no início desta edição, reproduzimos uma reportagem da Revista Veja sobre a atuação pouco republicana de dois ocupantes da Casa Civilo, José Dirceu e Dilma Rousseff. Em apenas um mes, mais ou menos, a gente tem que acrescentar às lambanças cometidas ao tempo em que Dilma era a ministra chefe do órgão, os casos de Erenice Guerra, braço direito que se transformou em substituta indicada pela própria Dilma, e nos ultimos dias mais tres rumorosos casos, todos, vejam bem, TODOS ocorridos ao tempo em que Dilma ERA a ministra chefe da Casa Civil - assim como o caso Erenice - vieram a tona, a saber:
1- Companheira de cela e ex-assessora de Dilma Rousseff foi investigada pelo TCU e pelo Ministério de Minas e Energia por contrato sem licitação que deixou rombo milionário (clique aqui);
2.- Deputado revela que assessor de Dilma Rousseff exigiu 100 000 reais de propina para agilizar processo que dependia de autorização do presidente Lula (clique aqui);
3.- O banco alemão KfW envolve Valter Cardeal, homem de confiança de Dilma Rousseff, na história de uma fraude de € 157 milhões, que foi denunciado em 2007 pelo Ministério Público por desvio de recursos da Eletrobrás (clique aqui).
Quando o caso Erenice veio a público, Dilma esquivou-se alegando tratar-se de um factóide. Ontem, no debate da RedeTV, precisou admitir que "Erenice errou". O caso da ex-secretária Lina Vieira, da Receita Federal, soube-se mais tarde que, não apenas a reunião com Dilma estava agendada, como ainda as fitas que gravaram a chegada da ex-secretária estão escondidas dentro do Palácio do Planalto.
Os casos acima, com a riqueza de detalhes com que foram divulgados, não podem ficar na esfera da "fofoca eleitoral". Precisam e devem ser investigados, já que os crimes estão bem evidenciados. E tudo isto acontece sob as vistas de dona Dilma que agora, vai querer atribui-los a central de fofocas e mentiras? Ora, tenha a santa paciência. Se tudo isto já é um escândalo imenso com a Dilma estando investida apenas de um cargo de ministra, imagine-se o que não poderá acontecer no país com esta senhora investida na presidência da república? E ainda vai querer encenar um "eu não sabia de nada" até quando? Somos idiotas, por acaso? É bom o eleitorado ficar esperto!!!
Por aí fica claro o desespero desta turma em não querer largar o osso: não se trata apenas de apego ao poder, é o medo de serem descobertos por seus crimes contra o país.
