De Inara Chayamiti, da Folha.com
O teste de leitura e escrita que o promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes tentou (sem sucesso) realizar com o candidato a deputado Tiririrca (PR-SP) era uma prova simples e rápida.
"Era ler três linhas da Constituição Federal. Ele se omite em relação a essa dúvida, que a cada hora aumenta contra ele", afirmou Lopes em entrevista à Folha.
"Estamos assistindo a uma fraude eleitoral com o registro da candidatura do Tiririca. Não consigo imaginar que motivos sinistros e estranhos movimentam o Poder Judiciário em encobrir essa situação", disse o promotor da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo.
O promotor disse que irá encaminhar ao Instituto de Criminalística de São Paulo assinaturas e caligrafias de Tiririca para uma perícia grafotécnica. Ele irá reapresentar a denúncia com os resultados na próxima terça-feira (5).
Após a revista "Época" divulgar indícios de que Tiriria seria analfabeto, Lopes pediu, no último sábado (25), autorização à Justiça Eleitoral de São Paulo para fazer o teste com o candidato.
Nesta quarta-feira (29), a Justiça Eleitoral rejeitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Eleitoral. A Folha tenta entrar em contato com a asessoria do candidato a deputado federal há dois dias e ainda não obteve respostas
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Olha, muita gente está transformando o estado de direito democrático do país, numa imensa pocilga.Ora, como se pode empossar alguém em um mandato legislativo, no qual se exigirá a leitura e compreensão de projetos de lei, de leis, normas, portarias, etc., se a condição básica é justamente a de ser alfabetizado? Como pode o Poder Judiciário ignorar a própria lei que lhe cabe fazer cumprir? Não acolher o registro sob o argumento de que não foram atendidas todas as precondições estipuladas, não é tratar o Tiririca com preconceito como alguns engraçadinhos tentam vender ao país. Santo Deus, existem leis, regras, normas, que regulam as relações sociais no país. Não o Poder Judiciário ser tão negligente. Não é atropelando os ditames legais que se vai depurar os costumes políticos do Brasil. Até pelo contrário: a mensagem que se está transmitindo para a sociedade é justamente que a lei, bem... a gente usa a lei de acordo com as conveniências e que, às vezes, dá para não cumprir.
Faz muito bem o Ministério Público Eleitoral em insistir na denúncia. Se ficar comprovado que o Tiririca preenche TODOS os pré-requisitos que se exige de QUAISQER cidadãos para se habilitar a mandatos eletivos, então tudo bem. Do contrário, por melhor pessoa que ele seja, o registro de sua candidatura deve ser negado. E isto não é preconceito. É conceito legal ao qual todos estão sujeitos. Inclusive o Tiririca.
