terça-feira, novembro 09, 2010

ENEM: especialistas avaliam e apontam erros

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Enem 2010: prova de química ignorou temas relevantes

Além disso, enunciados foram excessivamente extensos: "Muitos alunos devem questionar isso”, diz João Usberco, coordenador de química do Curso Anglo

Para o professor João Usberco, coordenador de química do Curso Anglo, a prova da edição 2010 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizada neste sábado, deixou de abordar assuntos importantes da área. "Eles pecaram ao não fazer uma prova abrangente. Deixaram de fora temas como radioatividade, propriedades coligativas e equilíbrios químicos", diz.

Uma das falhas apontadas foram os enunciados excessivamente extensos das questões, o que pode ter atrapalhado os estudantes. "Em alguns casos, como a questão 80 do caderno azul, os estudantes poderiam partir diretamente para o último parágrafo. Lá, estavam todas as informações necessárias para resolver o problema. Além disso, alguns textos estavam confusos e mais atrapalharam do que ajudaram", diz Usberco.

Comparando o Enem com avaliações de outras instituições, como a Fuvest, o professor considera o exame apresentado neste domingo "pouco criativo". "Nenhuma questão chamou a atenção. Foram cobrados assuntos básicos", diz.

Enem 2010: prova de história apresentou 'erros graves'

Falhas podem prejudicar estudantes mais bem preparados, diz José Carlos Moura, professor de história do Curso Anglo

Questões abordaram temas em períodos históricos variados, o que foi positivo, mas trouxeram erros inadimissíveis em seus enunciados muito longos, diz professor de história do Curso Anglo

Para José Carlos Moura, professor de história do Curso Anglo, a prova de história do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizada neste sábado, pode ser considerada "razoável". As questões abordaram temas de períodos históricos variados, o que foi "positivo", mas apresentaram "erros inadimissíveis em seus enunciados muito longos".

Exemplo disso foi a questão de número 25 da prova azul, que tratou da chegada da Família Real ao Brasil, em 1808. "A questão estava mal redigida e trazia erros de informação em várias datas, por exemplo. Erros infantis". Para Moura, o candidato que conhece o conteúdo de forma mais aprofundada provavelmente se incomodou com as falhas. "Isso prejudica o estudante na hora de assinalar a alternativa correta."

A questão de número 21, que tratava da Guerra de Canudos, também tinha problemas, segundo Moura, pois apresentava duas respostas corretas: "A" e "D". Isso pode provocar sua anulação.

Enem 2010: uma questão de geografia deveria ser anulada
Marina Dias

Reinaldo Scalzaretto, coordenador da disciplina do Curso Anglo, diz ainda que exame abordou temas que não fazem parte do conteúdo do ensino médio

O professor Reinaldo Scalzaretto, coordenador de geografia do curso Anglo, afirmou que a questão de número 1 do caderno azul da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicada neste sábado, não tem resposta

O professor Reinaldo Scalzaretto, coordenador de geografia do Curso Anglo, avalia que os enunciados das questões da disciplina da prova do Exame Nacional do Ensino Médio, realizada neste sábado, eram "muito difíceis e abordavam conteúdos que estão fora do campo de aprendizado do ensino médio". Para ele, a disciplina foi abordada de forma pouco diversificada e trabalhou em apenas duas frentes: o meio ambiente e a discussão agrícola.

Ele afirma que a questão de número 1 do caderno azul, que trata do tema da distribuição de terra no país, foi apresentada de forma confusa, o que deveria levar a seu cancelamento. Contudo, segundo Scalzaretto, o Enem deverá considerar como correta a alternativa A, que afirma que a concentração de terras está nas mãos de poucos no Brasil.

"Apesar da afirmação ser válida, o gráfico e a tabela que acompanhanaram o enunciado não transmitiam informação suficiente e correta para que o aluno tirasse essa conclusão", diz.