Raquel Landim, Estadão.com
A briga do etanol para ter acesso ao mercado dos Estados Unidos se aproxima de um momento decisivo. Se fosse uma partida de futebol, o jogo estaria aos 30 minutos do segundo tempo. No final do ano, expira a sobretaxa de 54 centavos de dólar por galão que os EUA cobram para permitir a entrada do combustível brasileiro.
Joel Velasco, chefe do escritório da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica) em Washington, calcula que o Congresso dos EUA vá trabalhar, no máximo, mais quatro semanas até o fim do ano, descontados os feriados. Se até lá não for votada a continuidade do programa do etanol, a tarifa contra o produto brasileiro simplesmente deixa de existir.
“A melhor coisa que pode acontecer é o Congresso não fazer nada. Estamos jogando na retranca, porque um empate dá a vitória para o Brasil”, disse Velasco ao blog.
O problema é que o time adversário é conhecido por marcar gols no tempo de acréscimo. Traduzindo a metáfora: é comum o poderoso lobby agrícola americano emplacar os subsídios no apagar das luzes, em projetos de lei que não tem nada a ver com o assunto.
Velasco pondera, no entanto, que o Brasil conta com duas vantagens. Primeiro, possui pela primeira vez em Washington um lobby privado atento a tudo que ocorre. Segundo, a crise deixou o orçamento americano muito apertado, o que significa que gastos com subsídios para ricos agricultores não serão bem-vindos.
A Coalizão de Governadores pelos Biocombustíveis, um grupo que reúne 29 chefes dos governos estaduais, enviou uma carta a deputados e senadores, propondo mudanças no programa de apoio ao etanol. O chairman do grupo é o governador de Iowa, um dos Estados em que o lobby do milho é mais forte. Surpreendentemente, as propostas interessam ao Brasil.
Os governadores estão pedindo aos congressitas para estender o sistema de incentivos para o etanol por um ano, mas já com algumas alterações importantes e o objetivo de fazer mudanças profundas no futuro.
No atual sistema, o governo americano dá um crédito de 45 centavos de dólar por cada galão de etanol que as petroleiras misturarem na gasolina. Não faz diferença se o etanol misturado é americano ou brasileiro. Para evitar que esse crédito governamental beneficie o combustível importado do Brasil é que foi criada a sobretaxa de 54 centavos de dólar por galão na importação.
Na nova proposta, o crédito seria reduzido pela metade e, ao invés de entregue às petroleiras, seria pago diretamente aos produtores de etanol de milho. Como não haveria mais nenhum incentivo para a importação, a tarifa contra o Brasil também cairia por terra. Não é a melhor proposta do mundo, mas bem melhor que a situação atual.
A conferir o que acontece até que o juiz apite o fim do jogo.