terça-feira, novembro 09, 2010

Guerra com a mídia continua

Adriana Vasconcelos , O Globo

As eleições no Brasil terminaram há oito dias, mas um grande número de militantes, até mesmo dentro do governo, ainda continua querendo alimentar a briga e a cizânia.

Logo após o anúncio oficial do resultado da disputa presidencial, percebi que o clima de guerra travado entre tucanos e petistas não seria ultrapassado facilmente.

Foram muitas as mensagens que li de internautas dizendo que não se sentiam representados pela petista Dilma Rousseff.

De pouco adiantou o argumento de que numa democracia, a maioria escolhe seus representantes e a minoria acata o resultado.

Mas a verdade é a agressividade também permanece entre aqueles que trabalharam e conseguiram eleger a nova presidente do Brasil.

Enquanto as armas não forem guardadas e a patrulha prosseguir, pior para todos.

Para acirrar um pouco mais os ânimos desse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promete deixar como herança para sua sucessora uma proposta de regulamentação da mídia.

Aquela mesma que ele tentou emplacar ao longo dos últimos oito anos e virou quase uma obsessão para alguns de seus ministros, como o da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins.

O ministro em questão, aliás, justificou nesta segunda-feira sua posição com o argumento de que imprensa livre não significa necessariamente imprensa boa.

Eu complementaria essa declaração dizendo que o que realmente não tem jeito de ser boa é a censura.

E não adianta o ministro dizer que a mídia precisa conviver com o contraditório e aceitar as críticas, tendo em vista que essa mesma imprensa teria escrito e dito o que bem queria sobre o governo Lula.

Seria bom refrescar a memória do ministro lembrando que a mídia sempre se submeteu às leis em vigor no país e nunca se colocou acima do bem e do mal, ao contrário de algumas autoridades.

E tampouco se nega a aceitar o contraditório, examente aquele que tanto parece incomodar alguns setores governistas.

É preciso entender, contudo, que noticiar fatos incômodos para o governo não significa ataque ou crítica, mas a reprodução da realidade, por pior que possa ser.

Coisa, aliás, de que alguns internautas continuam sem conseguir diferenciar, preferindo agredir gratuitamente quem noticia e se negando a enxergar o que lhe desagrada ou parece ser ruim para seu ponto de vista.

Que Deus _ aquele mesmo, tão citado durante a campanha eleitoral _ nos dê paciência para aguentar esses pobres de espírito!