segunda-feira, novembro 22, 2010

Tirando os esqueletos do armário.

Adelson Elias Vasconcellos

Agora, quando chega ao fim o reinado Lula no Planalto, após oito anos de mistificação, mentiras e muita, mas muita corrupção, da qual o país sequer conhece a metade, parece não haver mais riscos de liberar o muito que estava escondido e abafado.

Pouco antes do segundo turno, o PT e Gilberto Carvalho, além do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, tornaram-se réus no processo do desvio milionário de recursos da BANCOOP, para as arcas do partido e, talvez, agora, com a investigação avançando um bocadinho se venha descobrir as conexões da falcatrua com o mensalão e o caso dos Aloprados.

Nem bem as urnas se fechavam apontando a vitória de Dilma, e eis que o partido, através de suas várias células espalhadas no país, desencadeou a apresentação de projetos, em nível estadual, de controle da mídia. Além de que, durante a transição, Lula entregará a Dilma o projeto desenhado com carinho fascista por Franklin Martins do projeto de controle em nível federal.

Semana passada, dois outros esqueletos se apresentaram à sociedade: o renascimento do assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, com a condenação do primeiro dos acusados. Imediatamente, também, reabriu-se as investigações do assassinato de Antonio da Costa Santos , conhecido como Toninho do PT, ex-prefeito de Campinas. Talvez o caso mais rumoroso seja o de Celso Daniel: além da perseguição infame aos familiares do ex-prefeito, obrigando seus irmãos a buscarem asilo político na Franla - o que é um absurdo - o crime foi sucedido por outros sete misteriosos assassinatos de pessoas ligadas, de uma forma ou de outra, ao crime, não escapando sequer o legista que desmascarou as investigações de mentirinha que foram feitas com o propósito de acobertar os verdadeiros motivos que culminaram na morte de Celso Daniel.

E a semana fechou com a liberação – finalmente – pelo Justiça Militar do dossiê sobre Dilma Rousseff, ao tempo da ditadura militar. Aliás, cá prá nós, que historinha mais enrolada esta sobre a liberação de um documento - ATENÇÃO - que é PÚBLICO. Creio que o juiz, à luz do bom senso, cometeu algo que podemos classificar como abuso de autoridade! Não há lei para enquadrá-lo e puni-lo, hein?  Com a palavra o Ministério Público.

Como Lula está quase passando o bastão à sucessora, e esta já não corre mais riscos, parece que a Justiça nem Ministério Público veem alguma ameaça em deixar os acontecimentos trancafiados até agora virem à tona, o que representa dizer o seguinte: as duas instituições, de uma forma ou de outra, contribuíram para que o país fosse governado por bandidos durante oito anos e abriu caminho para que a continuidade do crime organizado no poder tenha mais quatro anos de vida mansa.

Falta agora o ministro Joaquim Barbosa, do STF, sair de cima do processo do mensalão e deixar que se prossiga no julgamento dos réus. E é bom se apressar porque em agosto de 2011, os crimes prescrevem, muito embora, particularmente, não acredite que alguém resulte condenado, pelos menos os “gente fina” tipo José Dirceu. Aliás, sexta-feira passada, Lula declarou com todas as letras que ajudará seu “companheiro” a se safar desta e que provará que o mensalão nunca existiu. Resta saber o que fará com as afirmações dadas em 2005, quando se declarou traído, sem nunca dizer por quem.

São situações como as que vemos acima que enterram de vez a esperança de que o país esteja mais próximo da civilização. Quando o poder instalado tem a força de praticar impunemente crimes e atos lesivos aos interesses do país, e são acobertados justamente pelas instituições que teriam a função de investigar e condenar os malfeitores, não há plano de segurança pública capaz de convencer aos demais cidadãos de que o crime não compensa.

Agora, mesmo que de forma subterrânea, já se fala em desenterrar a Lei da Anistia, para julgar os torturadores. E os crimes cometidos pela esquerda, que não queria democracia coisa nenhuma, e sim pretendia implantar no Brasil uma ditadura comunista ao estilo cubano, inclusive os grupelhos nos quais Dilma Rousseff teve participação ativa, quem julgará?

Fica difícil entender que alguém ainda tenha esperança de que, um dia, quem sabe, em um futuro bem distante, o Brasil se torne um país de paz e de esperança, com confiança absoluta em suas instituições, reinando por aqui a plena justiça social.

Por que, senhores, falar em justiça social assaltando os cofres públicos, e distribuindo bolsas sem nenhum critério, a não ser colher o voto na próxima eleição, isto é fácil e qualquer cafajeste é capaz de fazer. Quero ver é estadista de verdade praticando justiça social em políticas públicas que reduzam as desigualdades que nem 100 milhões de bolsas serão capazes de eliminar.

Assim, mesmo que tardiamente, que a Justiça brasileira e o Ministério Público cheguem ao fundo das investigações dos esqueletos que acabam de retirar do armário e que, minimamente ao menos, punam os culpados cujos nomes devem ser informados em todas as suas letras. Passa da hora do país passar a limpo seu passado, inclusive o mais recente deles, ou seja, os oito anos de Lula no poder. Nenhum futuro decente pode ser forjado com base em um presente cheio de mentiras e falsidades.