Martha Beck, com Valor Online
RASÍLIA - A arrecadação de impostos e contribuições federais atingiu R$ 90,882 bilhões em dezembro de 2010. O número representa um recorde para o período e um crescimento real de 16,17% em relação ao mesmo mês em 2009. No acumulado do ano, a sociedade brasileira pagou R$ 805,708 bilhões em tributos federais - maior valor já registrado no país e que equivale a um aumento real (com base no IPCA) de 9,85% sobre o ano anterior.
Segundo relatório divulgado pela Receita Federal nesta quinta-feira, o resultado histórico de 2010 foi decorrente do forte crescimento da economia.
Para 2011, o secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, estima um crescimento nominal de 10% na arrecadação de impostos federais.
A produção industrial, por exemplo, que subiu 11,27% entre dezembro de 2009 e novembro de 2010, alavancou a arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que fechou o ano com alta de 23,75%. Já as vendas - que cresceram 14,43% no mesmo período - influenciaram o recolhimento de PIS/Cofins, que teve alta de 14,66% no ano passado. A massa salarial se refletiu na contribuição previdenciária, cuja arrecadação cresceu 10,73%.
Levando em conta apenas impostos e contribuições federais (receita administrada), a arrecadação em 12 meses totalizou R$ 545,341 bilhões, um aumento real de 10,25% em relação a 2009. As receitas previdenciárias somaram R$ 233,609 bilhões, com crescimento real de 10,73% sobre o ano anterior. As demais receitas (recolhimentos extraordinários, como royalties de petróleo e outras arrecadações atípicas) ficaram em R$ 26,759 bilhões, com queda real de 3,88% em relação a 2009.
O aumento nominal da arrecadação total em 2010 foi de 15,38%.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Há um pequeno detalhe na notícia e que passou despercebido de muito gente. O crescimento de real, já com base no IPCA, de 9,85% na arrecadação, justificou-se como decorrência do forte crescimento da economia. Ok, mas tem uma coisa: se o crescimento da economia foi de 7% segundo cálculos mais atualizados, me parece que arrecadação, o crescimento real maior cerca de 2 pontos percentuais que o PIB, não estaria indicando elevação da carga tributária, não parece não? E reparem, ainda, que, à exceção das receitas extraordinárias como royalties de petróleo, todas as demais tiveram crescimento real bem acima do crescimento do PIB. E os caras ainda querem ressuscitar a CPMF alegando falta de recursos para saúde?