terça-feira, janeiro 25, 2011

Desolação

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa – Blog Noblat

Abaixo o retrato da desolação. Desgosto. Tristeza. Desamparo. Um mundo sem vida. Morto.

Não, não sou de nenhuma ONG de proteção aos animais. Não, não choro mais a perda de um animal do que a perda de uma criança, mas alguma criança sobreviveria num mundo sem animais?

Tenho lido muito sobre a desgraça que se abateu sobre nossa região serrana. Difícil viver uma vida no Rio sem ter parte de sua história ligada à Serra. Impossível ver as imagens que as TVs mostraram e não chorar. Impossível não correr para prestar algum tipo de socorro, por menor que seja.

A solidariedade, a generosidade, Deo gratias, ainda não foram extintas. O que parece faltar é... constância. Qualidade que, mais do que nunca, nos será imprescindível de agora em diante, se é que não queremos deixar para nossos netos o mundo devastado.

Li sobre as vãs tentativas de incluir em um dos PACs um sistema de alerta com radares que ajudaria a prever desastres ambientais. Li que na Costa Rica, “há uma sincronia entre autoridades, imprensa e comunidades, quase automática numa catástrofe natural”. Li que “na Alemanha, há uma rádio oficial que transmite apenas mensagens sobre as condições das estradas e as previsões climáticas, e, quando há algum acidente no percurso, a rádio oficial interrompe a programação normal e passa a dominar o noticiário naquela região em que é preciso dar informações para os cidadãos”.

E li que aqui, no Brasil, dentro de uns quatro anos teremos nosso sistema de prevenção e alerta. E que no Rio, a partir de hoje, começariam a ser instaladas sirenes que, acionadas por sofisticado sistema de previsão do tempo, levariam membros da Defesa Civil a orientar os moradores das áreas de risco a se retirar para lugar seguro.

Aí entra a palavrinha mágica: constância. É preciso não deixar que essa tragédia seja esquecida. Não vamos nos iludir e pensar que por ter sido monstruosa, ocupará a mente de nossas autoridades – ou da Imprensa – por muito tempo. Temos todos que nos unir e não deixar que nos esqueçam.

E, o principal, não esquecer. Insistir em ter, em vez de obras de vulto, festas e salamaleques, segurança, Defesa Civil treinada e abrigos preparados para nos receber, em caso de necessidade.

O ideal é que não houvesse moradores em áreas de risco, dado o risco mais imediato de multas altíssimas e cadeia para o infrator. É sonho? Assim como Saúde e Educação serem os itens mais importantes das 3 esferas de governo? Que tal insistir?

O que não podemos é deixar essa herança para o futuro:

Foto: / Alexandre Carius - O Dia