terça-feira, janeiro 25, 2011

A falta que faz uma oposição na democracia...

Adelson Elias Vasconcellos

Impossível a gente não falar sobre os desatinos da oposição, não é mesmo? Afinal, se há uma coisa que eles sabem fazer é preparar o terreno para derrota. Antes mesmo de se proclamar o resultado do segundo turno, sugeri que tucanos, democratas e quem mais desejasse ser oposição, deveriam se reunir, reduzir as diferenças a zero, escolher estratégia e discurso, e tudo isso na semana seguinte ao resultado.

Se vocês recuperarem os sites de notícias verão que a base governista fez exatamente isto, muito embora a ilegalidade do encontro partidário ter sido feito em prédio do Estado.

E a oposição? Bem, estão fazendo oposição entre si. Minas com São Paulo, São Paulo com Minas e o resto assistindo sem saber direito o que se passa, ou para que lado ir. Até parece que com tal divisão, conseguirão recuperar o poder que perderam para si mesmos.

O que é ridículo nesta história toda é que se os mineiros de Aécio vencerem a corrida presidencial em 2014, como proclama o tal “Projeto Minas”, por um destes golpes do destino que nem o acaso consegue explicar, se verão obrigados a governar o Brasil do qual São Paulo faz parte. Assim, não é inteligente um atirar pedras no outro, quando a vitória da oposição depende fundamental e obrigatoriamente da união de forças!

Estas briguinhas regionais, perdoem-me paulistas e mineiros, não passam de provincianismo burro, tosco, além de egoísta. O projeto que ambos devem desenhar é para o Brasil, em favor do Brasil, não para um projeto de poder rombudo, tacanho, em que a vaidade pessoal é uma peça de maior valor.

O resultado saído das urnas em 2010 demonstrou que as oposições, apesar de todas as suas falhas, tem um lugar cativo na sociedade brasileira que representa muito mais uma esperança de luta do que pelo trabalho desenvolvido pela oposição como força política colocada do outro lado do poder - oposição ao petismo - ou seja, fruto de uma estratégia, de um discurso, de uma presença marcante por sua atuação.

Enquanto a oposição continuar neste papel ridículo, o governismo comandado pelo PT não terá mesmo com o que se preocupar. Dilma nem precisará fazer um governo além do razoável para garantir a cadeira de 2014 em diante. As oposições lhe estão entregando a vitória lá frente aqui e agora, em uma bela bandeja.

E, apesar de Dilma sequer ter completado seu primeiro mês como presidente, o que não faltam são motivos para a oposição levantar sua voz e cumprir o papel que lhe cabe e que lhe foi outorgado por mais de 40% da população. Mas qual? Eles preferem fazer oposição entre si, do que em favor do país. É tão delirante a situação, que no caso do salário mínimo, do reajuste da tabela do imposto de renda na fonte e do reajuste das aposentadorias quem está fazendo oposição são aliados da própria base de apoio de Dilma, no caso, sindicatos e centrais sindicais. A posição do PMDB, que me perdoem seus áulicos, não passa de oportunismo, uma chantagem mequetrefe em busca de maior espaço na composição dos cargos do governo.

Ridículo também, até para não dizer um palavrão, é a oposição pó de arroz de alguns governadores. Incrível o governador mineiro dizer que a oposição deve ser feita no Congresso apenas. Ninguém lhe pede para chutar as canelas de dona Dilma, mas há uma enorme diferença entre a bajulação submissa, e uma aproximação apenas republicana. Enquanto o senhor Anastasia até anunciava a abertura de um escritório da Presidência em Belo Horizonte, milhares de desabrigados em seu estado, São Paulo e Santa Catarina assistiam o governo federal distribuir bondades apenas para os flagelados do Rio de Janeiro. Dilma sequer visitou estes estados, não por outra razão, os três representam a grande força da oposição.

Será que oito anos de Lula não ensinaram a esta gente que o governo federal comandado pelos petistas usaram e usarão de todos os meios do Estado para derrotá-los em seus próprios redutos? Bastaria ver como exemplo, o que o governo federal conseguiu em relação ao Rio Grande do Sul, governado por Yeda Crusius, do PSDB. Foi um dos maiores absurdos que a cena política do país já assistiu em toda a sua história. Foi um boicote irrestrito, sem limites, na tentativa de destruir o trabalho que a governadora, apesar da oposição ferrenha de Lula, Tarso Genro & Cia, conseguiu plantar em favor do seu estado. Contra tudo e contra todos, recebeu um estado falido, e zerou o déficit, com crescimentos notáveis em todas direções, e um trabalho de saneamento sem paralelo. É só recapitularem a ação de Lula e de todo o seu governo durante a campanha.

Mas o boicote não se fez apenas contra o governo gaúcho, muito embora a imoralidade lá tenha sido  escandalosa . É só levantarem a estatística da distribuição de verbas federais, obras e programas em outros estados e municípios governados por políticos da oposição.

O que Aécio e seus miquinhos amestrados parecem não entender é que liderança política não é algo que se impõem pela força, pela truculência, pelo beicinho torcido. É algo que se conquista pela inteligência, pelas ideias, pelas alternativas que se oferecem em favor de um projeto maior, que une, que aproxima, que congrega, e não este nó que tenta aplicar contra os invisíveis inimigos do mesmo lado. Parecem adolescentes se estapeando para ver quem fez mais conquistas com o sexo oposto. Enquanto isso, o país continua mergulhado nesta vergonhosa falta de projetos.

Até aqui, vemos uma presidente cujo silêncio é tido como indicativo de uma boa gestora, quando, na verdade, sua quietude representa muito mais a ausência de um projeto de país, e de um país cuja herança não tem como administrar sem podar-lhes algumas “virtudes” mentirosas que Lula fincou no inconsciente da sociedade.

Está mais do que na hora de alguns oposicionistas se darem conta de que seu papel é fazerem oposição ao governo petista, e não em favor de suas vaidades pessoais. O pleito de 2014 está muito distante para se perder precioso tempo na tentativa tacanha de ocupação de espaço na disputa. O espaço que precisa ser preenchido é de oposição ao governo e ao Petê. E quanto ao senhor Aécio Neves uma sugestão: que tal passar a agir como um homem adulto, e não como um jovenzinho galanteador e mimado como tem agido até aqui? Lembro que, antes de 2014, é imperioso que a oposição comece a agir visando as eleições municipais de 2012. A conquista ou a reconquista do poder tem de começar por aí. Não compete nem à imprensa tampouco à sociedade fazerem oposição: para isso, ela escolheu seus representantes, viu Aécio?