Carlos Brickmann
O ex-campeão de boxe Acelino Popó de Freitas, do PRB baiano, acaba de tomar posse na Câmara dos Deputados. Já enfrenta seu primeiro desafio: o senador Eduardo Matarazzo Suplicy, do PT paulista, que treinou boxe nos longínquos tempos da adolescência, quer porque quer lutar com ele. Tudo bem: mesmo se for duramente castigado, confirmará o parlamentar Tiririca, porque pior não fica.
Mudemos o cenário. O primeiro-ministro italiano Berlusconi, que não chega a brilhar pelos modos primorosos, jamais seria visto aos socos com o adversário Massimo d’Alema. E alguém imaginaria Serra e Lula de calção no ringue?
A propósito, Suplicy deve vencer o duelo com o ex-campeão. Popó só escapa daquele discurso sobre a renda mínima se for nocauteado. Vale a pena.
Mas nosso Congresso está além da imaginação. Sua Excelência, o nobre deputado Tiririca, insiste em integrar a Comissão de Educação da Câmara. É missão que lhe foi confiada por seu partido, o PR paulista: "Quero trabalhar na área de educação e cultura. É o que o partido também quer", informa Tiririca. E que é que pretende propor nessa área? "Já mostrei alguma coisa para a galera" (também conhecida como "eleitorado"). Tiririca, de qualquer forma, é mais importante do que parece: sem sua votação maciça, o delegado Protógenes Queiroz não teria chegado à Câmara, e precisaria enfrentar seus processos judiciais sem foro privilegiado - uma situação deveras desagradável, a que devem ser submetidos só os cidadãos comuns, como o caro leitor, como este colunista.
Rosquinha apreciada
O deputado do PR goiano Sandro Mabel, que tanta confusão causou na eleição para presidente da Câmara, não se chama Mabel: adotou o nome em homenagem à marca dos biscoitos que fabrica. Esses biscoitos, que Sua Excelência distribui fartamente aos colegas, explicam boa parte de seu prestígio na Casa.
Cútis lisa como pêssego
Jair Bolsonaro, do PP do Rio, também entrou na briga pela Presidência da Câmara, mas só para marcar posição contra ordens do Executivo. Bolsonaro é o casca-grossa (e faz questão de sê-lo) que sugeriu aos pais que, quando desconfiarem que o filho é gay, lhe dêem um "couro" para que deixe disso. Bolsonaro odeia frescura. Mas se depila.
O gato comeu
Todos nós já perdemos um ou dois reais e nem percebemos. Mas, quando a perda é grande, a gente percebe e vai atrás, tentando recuperar o dinheiro. Diferente das pessoas físicas, o banco não quer saber de perder nem um centavo. Por isso tem auditorias, controles, essas coisas. Como este colunista não está entendendo mais nada, alguém poderia explicar-lhe como se esvaiu de um banco a quantia de R$ 2,5 bilhões, sem que ninguém percebesse, mesmo com auditorias externas e um pente-fino promovido pelo comprador de boa parte de suas ações? E como é que, logo depois, descobre-se que a perda não era de R$ 2,5 bilhões, mas de quatro bilhões de reais? Deve haver alguma explicação, não é mesmo? E talvez aí se explique porque ninguém parece preocupado com o buraco.
O cerco ao agressor
O delegado Damásio Marinho, que estacionou seu carro em vaga de deficiente e, insatisfeito com a reclamação que ouviu, agrediu um advogado que se locomove em cadeira de rodas, vê o cerco apertar-se: ele foi afastado do posto, a denúncia do Ministério Público contra ele foi aceita pela Justiça; sua ex-mulher, que o acusa de agressão, está pronta a depor; e um respeitado coronel da Aeronáutica, Mohamed Ali Osman, já se dispôs a contar sua história. É um caso espantoso: após um acidente de trânsito, o então capitão Mohamed foi à delegacia registrar um boletim de ocorrência. O delegado era amigo da outra parte, mandou o capitão calar a boca, algemou-o e enfiou-o numa cela - procedimento ilegal.
É hora de a Justiça falar: que fazer com um policial que agride um cadeirante?
Preocupação inútil
O bem-informado colunista Aziz Ahmed, do Jornal do Commercio do Rio, diz que o principal executivo do Instituto Lula, Paulo Okamoto, estuda alugar uma adega para guardar os vinhos e destilados que o presidente Lula ganhou durante seus mandatos. São as bebidas que viajaram de Brasília a São Paulo num caminhão refrigerado - mas onde guardá-las, senão numa adega própria?
Preocupação inútil: um caminhão de bebidas não deve durar tanto assim.
Ação combinada
O Governo brasileiro não deve agir sozinho no caso das manifestações no Egito contra o presidente Hosni Mubarak. Brasília prefere manter-se em silêncio, que será rompido apenas quando (e se) houver uma ação internacional.
Questão de know-how
Nos tumultos do Egito, além de mortos e feridos, houve danos a peças históricas de alto valor, incluindo múmias de alguns milhares de anos. É que lá eles colocam as múmias em museus, ao contrário do que ocorre no Brasil, onde múmias continuam na ativa e ocupam cargos dos mais importantes.