quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Por que elas são mais propensas ao divórcio?

Carla Delecrode, Opinião & Notícia

Uma pesquisa realizada no Estados Unidos mostrou que dois terços das separações são iniciadas por mulheres.

Mais de 70% das separações judiciais sem acordo
 são iniciadas por mulheres, diz IBGE

Seja por vantagens legais quanto à guarda dos filhos ou por não suportarem o “mau comportamento” dos maridos, elas são as primeiras a dizerem ‘sim’ ao divórcio. É o que afirma uma recente pesquisa realizada pela Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos. De acordo com o estudo, dois terços dos casais que se separam no país iniciaram o divórcio porque as mulheres pediram a separação. No Brasil, não é diferente.

Segundo o IBGE, entre 2004 e 2005, em mais de 70% dos casos de separação judicial não-consensual (em que não houve acordo) foram elas que tomaram a iniciativa de se separar, assim como nos pedidos de divórcio, no qual 52% foram requisitados por mulheres. Para a psicóloga Teresa Goes, que é professora da PUC-Rio, um dos motivos que explica o comportamento é a entrada no mercado de trabalho, que trouxe mudanças na percepção das mulheres sobre o casamento e o divórcio.

A especialista esclarece que elas se adaptaram às várias funções que passaram a exercer na sociedade. Por isso, casar se tornou uma opção e não uma imposição social, assim como ser mãe e se separar do marido. Teresa acredita que os homens, geralmente, não tomam a iniciativa em direção ao divórcio– mesmo que não estejam felizes –, pois se detêm a uma mentalidade do passado. “Eles não acompanharam as mudanças de pensamento. Os homens fantasiam com uma ‘cuidadora’ e se colocam na condição de filho. Manter o casamento é mais cômodo para eles.”

Por que as mulheres desistem do casamento?
O estudo norte-americano indica que as leis de divórcio motivam as mulheres a optarem pela separação. Nos estados onde elas têm mais chances de receber a guarda dos filhos, o número de pedidos de divórcio iniciados por elas é bem maior do que onde prevalece a custódia compartilhada. Além disso, os homens são mais propensos a terem problemas com bebida, drogas e a infidelidade, diz a pesquisa.

Mas outros motivos também fazem com que elas desistam do casamento, como a sobrecarga de função e a desilusão amorosa. “Quando ela se desencanta com o parceiro, quer voltar a buscar o ‘príncipe encantado’. A psicóloga explica que, diferentemente dos homens, elas querem maior clareza no relacionamento, por isso não lidam muito bem com um “triângulo amoroso” e nem com desilusão. “Os homens lidam melhor com a infidelidade. A mulher quando trai se sente culpada. Ela não consegue separar amor e sexo. Em geral, o relacionamento íntimo está ligado ao afetivo. Ela confunde lealdade com fidelidade.”

Para Teresa, a idade também é um fator que deixa as mulheres mais propensas a darem fim ao “para sempre”. As mais novas, até 45 anos, têm mais facilidade de dar o primeiro passo, enquanto as mais velhas se mantêm presas às tradições. “As mais novas preferem uma vida de liberdade e com novas escolhas. Elas conseguem encarar melhor a frustração e percebem que o envolvimento não precisa ser eterno.”