Adelson Elias Vasconcellos
Apesar da atual oposição agir de forma tão destrambelhada, há coisas que nos dão esperança de que, demore o quanto demorar, mas haverá um momento no Brasil em que as verdades históricas de nossa construção serão colocadas no seu devido lugar.
É o caso dos artigos abrigados nesta edição. O de Clóvis Rossi, por exemplo, em que ele comenta o recente estudo feito por ninguém menos do que um esquerdista de carteirinha, o professor Reinaldo Gonçalves, titular de economia internacional na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no qual pôs por terra toda as farsas numéricas exibidas por Lula e o PT acerca das fantasias de conquistas dos dois mandatos lulistas. Também o excelente economista Mendonça de Barros, demonstra aquilo que defendemos já há algum tempo neste espaço: a patranha do ministro da Fazenda sobre a condução da política econômica do governo, principalmente no tocante ao combate ao surto inflacionário que atormenta nossas autoridades.
Também importa destacar o excelente artigo do sociólogo Bolivar Lamournier no qual ele nos alerta para o perigo de se ter uma oposição tão irrelevante quanto a nossa. Esta parece não ter compreendido a exata dimensão do papel que devem exercer.
Textos como os acima referidos são demonstração inequívoca de há uma corrente no país que não vendeu sua alma ao boçalismo oficial . São pensadores com outra visão de mundo, que sabe diferenciar de forma clara a mistificação do socialismo decadente, em relação a uma sociedade aberta, livre, moderna, democrática alicerçada no estado de direito. Que vê que o papel do Estado é servir à sociedade que representa, e não servir-se dela em favor de oligarquias cretinas e imorais.
Claro que, conforme afirmei em artigo anterior, tais exceções ainda representam minoria dentro do quadro político do país. Contudo, se a eles juntarmos a parte da imprensa que não se submete ao oficialismo de cabresto, dá prá nutrir esperança de que a sociedade brasileira há de amadurecer, há de se educar e de se informar sobre o verdadeiro papel do Estado e, caso os gigolôs da Nação não mudem sua conduta, serão expurgados da vida pública. Não é por outra razão que o PT tenta emplacar de forma tão obsessiva na reforma política que se discute o famigerado voto em lista, onde se pretende roubar e anular a total representatividade da sociedade na vida política nacional. Valerão os conchavos partidários e o parlamento será recheado com a podridão que já corrói de lama o Congresso.
Assim, é importante que tais vozes se levantem e se posicionem de forma contrária à ideia central da reforma política. Precisamos é aproximar o eleitor de seus representantes, dar-lhes maior poder de cobrança e pressão, e não correr em direção contrária como apregoam os petistas.
Precisamos estar atentos aos golpismos
à moda “Chavez”, que se valem das liberdades que a Democracia oferece para chamuscá-la com medidas de pura tirania e vilania. Precisamos sim modernizar a vida política, mas modernizar significa andar para frente, e não retornar a modelos há muito ultrapassados, caóticos, bucéfalos. Foram duas grandes lutas e conquistas que o país precisou enfrentar: a reconquista da democracia e a inserção da nossa economia no doce balanço da estabilidade.
As lições que ficaram não podem ser esquecidas, não podem ser conspurcadas pela mente doentia da maré vermelha.
E para que esta luta possa dar-se o quanto antes, seria preciso que alguns líderes da oposição pusessem um ponto final nesta baboseira de “oposição responsável”. Responsabilidade da oposição é, primeiro, e sempre, existir com plenitude, pois é sua existência que legitima a democracia. Em segundo lugar, devem orgulhar-se de seu legado, fruto do qual o país alcançou a tão ambicionada estabilidade econômica e abriu caminho para a redução das desigualdades sociais, além de abrir caminho para melhoria em todos os níveis de seus indicadores sociais.
Depois, precisam aproximarem-se da sociedade com um verdadeiro projeto de país. O do PT sempre será um projeto de poder, por mais lustro que tentem colocar no pacote.
Em seguida, precisam abandonar de vez esta coisa pequena de disputas pessoais, onde a intriga apequena a sua missão. Neste sentido, Aécio Neves e os que a ele se aliam, devem pensar em termos de país, não em coisinhas miúdas, provincianas, regionalismos imundos que só servem aos propósitos de quem já está no poder. O bom combate não deve ser interno, e sim com a esquerda que cada vez ocupa maior espaço na cena política.
E, por fim, devem mostrar um projeto de país onde se combata as mazelas socialistas, dando lugar e vez para o crescimento do indivíduo, onde o mérito e não as cotas sejam as virtudes a serem contempladas. Chega de vagabundo mamando nas tetas do erário às custa do sacrifício dos que realmente trabalham e se sacrificam. Chega de assaltos diários na forma de impostos extorsivos que só beneficio a uma elite política carcomida e elite sindical ordinária por excelência. Chega de gigolôs explorando o trabalho alheio. O Estado deve servir à sociedade de forma digna, em todas as suas esferas, e não se transformar em ninho de ratazanas imorais e decadentes.
Com os textos sobre os quais acima comentamos além de outros que enriquecem o pensamento que nos guia, este blog reafirma uma vez mais sua inarredável posição de defensor dos direitos e garantias fundamentais, o respeito às leis e ao estado de direito, o capitalismo como modelo econômico, a meritocracia como prêmio ao maior e melhor esforço individual.