quinta-feira, março 10, 2011

Líder em riqueza natural, Brasil não consegue desenvolver turismo

Daniela Milanese, da Agência Estado

Segundo estudo do Fórum Econômico Mundial, problemas de infraestrutura, regulação, violência, mão de obra qualificada e investimentos acabam se sobrepondo às vantagens das belezas nacionais

LONDRES - Apesar de ser considerado o País com a maior riqueza natural do mundo, o Brasil não consegue ser competitivo na indústria de turismo e perde espaço para outras nações. Problemas de infraestrutura, regulação, violência, falta de mão de obra qualificada e ausência de investimentos acabam se sobrepondo às vantagens das belezas nacionais. É o que mostra o ranking sobre a competitividade no setor divulgado pelo Fórum Econômico Mundial.

O Brasil desbancou todos os 139 países analisados e marcou o primeiro lugar no quesito de riqueza natural, principalmente pela diversidade de espécies animais existentes, com a fauna mais rica do mundo, além do número de lugares considerados patrimônios da humanidade, da quantidade de áreas protegidas e da qualidade do meio ambiente.

Entretanto, ficou apenas com o 52º lugar na classificação geral do ranking de competitividade no turismo deste ano, perdendo sete posições na comparação com o levantamento anterior, realizado em 2009 - apesar de ter mantido praticamente a mesma nota.

As piores avaliações foram obtidas em critérios como a infraestrutura de transportes, a ausência de trabalhadores qualificados e as regras para o estabelecimento de negócios no setor. O Brasil aparece, por exemplo, como um dos países onde mais tempo se leva para abrir uma empresa. O peso do crime e da violência também desfavorece o País.

O levantamento mostrou ainda a falta de prioridade dada à indústria de turismo, em razão dos baixos investimentos do governo. "A rede de transportes continua pouco desenvolvida e a qualidade das estradas, portos e trens precisa de melhorias", diz o estudo.

O Fórum Econômico Mundial destaca que a competitividade do Brasil nessa área fica abalada também em razão dos elevados impostos que recaem sobre o transporte. O levantamento aponta a alta taxação embutida nas passagens aéreas e as tarifas cobradas pelos aeroportos.

Dessa forma, o Brasil acabou superado no ranking, por exemplo, pelo México, que subiu oito posições e agora está em 43º. Além das riquezas naturais e culturais, o país vem priorizando o turismo, com uma série de campanhas para atrair visitantes.

A Suíça, a Alemanha e a França são considerados os países mais atraentes para o desenvolvimento da indústria de turismo, entre os 139 analisados pelo ranking.

Emergentes
Conforme o Fórum, existe grande expectativa em relação à crescente procura da população dos países emergentes por turismo, principalmente entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China).

Os Brics representam 42% da população mundial e fazem os empresários do turismo "sonharem com uma enorme demanda esperando para ser liberada, já que o aumento da prosperidade permitirá que as pessoas viagem para fora".

Apesar da retração mundial da indústria de turismo durante a crise financeira global, as viagens e os gastos dos chineses no exterior continuaram crescendo 4% entre 2008 e 2009.

Entretanto, o estudo mostra que a demanda emergente ainda não atingiu o volume necessário para desbancar a procura dos países ricos como principal condutora do setor mundial de turismo. Na China, a receita por passageiro por quilômetro está bem abaixo da média mundial e assim deve ficar até 2025, prevê o Fórum Econômico Mundial. "Até 2025, ainda haverá uma enorme diferença entre a atividade de viagens na China e nas economias desenvolvidas."