Texto de Chico de Gois, Cristiane Jungblut e Leila Suwwan, para O Globo, informa que a Dilma Presidente se reunirá com as centrais sindicais para tratar sobre o tema de correção da tabela do imposto de renda. Creio que já falamos várias vezes sobre a proposta indecente que o governo defende. Vale repetir: qualquer correção da tabela abaixo da correção do salário mínimo, significará maior confisco sobre os assalariados, e não importa a justificativa que o governo venha apresentar. Esta tem sida a regra desde que Lula chegou ao poder, em 2003. Naquele ano, Lula assumiu com a tabela isentando de imposto quem recebesse até cinco salários mínimos. Ao entregar o governo, esta isenção caira para 2,96 salários mínimos. Reduzi-la ainda mais, é uma sacanagem que trabalhador algum merece. O equilibrio fiscal não pode ser bancado exclusivamente sobre quem ganha menos, e sim à conta dos irresponsáveis que gastaram além do que podiam.
Se as centrais sindicais honrarem os milhões de trabalhadores que dizem representar, endurecerão o jogo e exigirão de Dilma menos confisco sobre os salários, ndo-lhea tabela histórica deste confisco, que vem ocorrendo desde 2003. Resta saber se terão coragem de confrontar com o governo que lhes assegura milhares de bocas-ricas nos altos escalões do poder.
A propósito do confisco que nos referimos acima, sugerimos que o leitor veja o artigo "O vergonhoso confisco sobre os assalariados na era Lula". Ali se desmancha o mito do governo "do trabalhador".
A propósito do confisco que nos referimos acima, sugerimos que o leitor veja o artigo "O vergonhoso confisco sobre os assalariados na era Lula". Ali se desmancha o mito do governo "do trabalhador".
Segue o texto de O Globo.
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Foto: / Gustavo Miranda
A presidente da República, Dilma Rousseff.
BRASÍLIA E SÃO PAULO - Na reunião que fará nesta quinta-feira com as centrais sindicais, a presidente Dilma Rousseff dirá que o governo não vai atendê-las na reivindicação de conceder um reajuste de 6,47% na tabela de Imposto de Renda para Pessoa Física (IRPF). Dilma baterá na tecla que o máximo que o Palácio do Planalto está disposto a oferecer são os 4,5% já anunciados, o que equivale ao centro da meta da inflação do ano passado. Não será uma conversa fácil. Além da tabela do IR, a pauta das centrais incluirá o fim do fator previdenciário e o reajuste para os aposentados que ganham acima do salário mínimo.
Nesta quarta-feira, o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), disse preferir que a presidente envie um projeto sobre a correção da tabela do IR , e não opte por uma medida provisória, como está previsto. Ele argumentou que o projeto seria votado mais rapidamente, já que, com urgência (como aconteceu com o projeto de lei que reajustou o salário mínimo), poderia passar na frente das MPs que trancam a pauta.
Centrais chegam divididas ao encontro
Dilma, que não estava muito disposta a receber o presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), acabou cedendo. Paulinho da Força, como é conhecido, fez campanha contra o salário mínimo de R$ 545 e aumentou o tom contra a presidente Dilma . Do encontro desta quinta-feira, além da Força, participarão a CUT, UGT, CGTB, CTB e NCST.
Derrotadas e divididas, as centrais sindicais tentarão transformar a reunião com a presidente em um misto de desagravo e demonstração de unidade. As centrais sindicais querem registrar com Dilma a mágoa com a decisão dela de não negociar com os sindicalistas sobre o prometido aumento real no salário mínimo de 2011. Reafirmarão sua posição contrária à política econômica atual, que será o alvo de uma grande mobilização no mês de julho, ao lado de movimentos sociais.
Porém, o tom será de discordância amiga - daí o escanteamento promovido pelas centrais contra Paulinho, que chegou a dizer que está de "saco cheio" do PT.
Em seu blog, Artur Henrique, presidente da CUT, afirma que Paulinho "não tem moral para falar em independência e direitos dos trabalhadores". "Paulinho está louco para cair no colo do PSDB. Ele anuncia leilão dele mesmo", escreveu Henrique.
O presidente da CTB, Wagner Gomes, disse que a presidente será respeitada, mas ouvirá as reclamações das centrais.
- Defendemos o mesmo modelo de Brasil que ela, mas achamos que começou mal do ponto de vista macroeconômico. Não somos adesistas. Se ela não alterar, teremos em julho uma jornada de luta com os movimentos sociais - disse Gomes.
Já o presidente da CGTB, Antonio Neto, sustenta a postura de superação das divergências:
- Achamos que o governo errou e vou dizer isso pessoalmente à presidente. Sempre fica um pouco de mal-estar. Mas sou um negociador e sei que não é possível ganhar tudo.
Em relação ao reajuste da tabela do IR, há uma dúvida dentro do governo: se a correção será só por este ano ou por quatro anos, como foi a política de reajuste do salário mínimo.
O Ministério da Fazenda, apesar dos discursos alarmistas do ministro Guido Mantega, quer a correção por quatro anos. Na semana passada, Mantega disse que, caso haja a correção da tabela, o governo terá de encontrar meios para tapar o buraco . Ele chegou a admitir que poderá haver aumento de impostos ou novos cortes orçamentários.
No Congresso, o senador Paulo Paim (PT-RS) lembrou que, quando esteve com Dilma, ela mencionou 4,5%. Para ele, a fala de Mantega nada mais é do que o recado que o governo não aceita correção maior, como querem as centrais.
- A presidente Dilma falou em 4,5%. Mas até entendo que o Mantega tem que endurecer: a melhor tática é o ataque. Quando ele diz isso (que tem que criar novos tributos), é que o máximo é 4,5%. Acho que o governo vai endurecer nos 4,5% - disse Paim.
Na semana passada, os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), disseram que a correção seria de 4,5% e apenas por um ano.
