quinta-feira, abril 07, 2011

Ações do etanol caem por preocupação sobre regulação

Guillermo Parra-Bernal e Denise Luna, da Reuters

Há temores que a presidente Dilma aumente controle sobre o setor

São Paulo - As ações de empresas do setor de etanol registraram a maior queda em dois meses nesta quarta-feira por temor de que o governo da presidente Dilma Rousseff possa aumentar a regulação sobre o setor para controlar os preços e fornecimento.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) está considerando aumentar a regulação no setor na expectativa de elevar a produção, disse à Reuters o presidente da ANP, Haroldo Lima, nesta quarta-feira.

De acordo com Lima, a ANP pode regular a oferta, estoques e estipular metas. O jornal Valor Econômico reportou mais cedo que a preocupação com o aumento dos preços de etanol pode levar a mudanças na mistura do combustível utilizada na gasolina.

A Cosan, maior empresa de açúcar e etanol do mundo, perdia 3,4 por cento, maior declínio desde 9 de fevereiro, para 25,95 reais. São Martinho caiu 3,2 por cento, para 24,91 reais, mínima de uma semana.

Os investidores temem que a iniciativa da presidente de aumentar a presença do Estado em setores de rápido crescimento no Brasil pode levar a controles de preço e lucros menores.

A presidente está promovendo a implementação de novas regras para a indústria de petróleo, e sua coalizão está avaliando mudanças na legislação de royalties para mineração.

O governo pode estar tentando usar a regulação para conter o mais rápido aumento da inflação em seis anos. Os preços de etanol, um importante componente nos preços de transportes, saltam 70 por cento desde setembro.

"Nós vemos que as notícias são muito negativas para o setor, não apenas pelas medidas em si, mas também porque o agronegócio no Brasil tem sido visto... como um setor atrativo dada sua competitividade e a ausência de interferência governamental", disse o analista Luiz Otavio Campos, do Credit Suisse, em relatório.

Nos últimos três anos, os conglomerados de açúcar fizeram aquisições de concorrentes menores, assegurando maior controle sobre o fornecimento e preço de energia no setor de etanol.

O governo, através da Petrobras, por sua vez, não acompanhou o ritmo das fusões entre suas concorrentes privadas.

O artigo do Valor sugere que o governo vai tentar convencer os executivos de açúcar e etanol, para alinhar seus interesses com aqueles da nação. Se isso falhar, disse o Valor, pode até levar a presidente a impor taxas às exportações de açúcar.

Uma tarifa sobre o açúcar, disse Campos, poderá não ter efeito sobre o volume de cana destinada à produção de etanol porque o Brasil domina o mercado global de açúcar.

"Isso significa que o aumento das taxas de exportação pode na verdade levar ao aumento dos preços globais do açúcar, porque estes serão ajustados por causa da maior taxação", para manter o alto lucro do açúcar, observou ele.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Há um texto que reproduzimos abaixo, sobre a reação verificada a partir da ação cretina do governo Dilma sobre a Vale. Lá se diz que os investidores minimizaram a intervenção estatal numa empresa privada, com ações em Bolsa e a partir de um jogo de pressão injustificável para que o governo passe a ditar a ação estratégica da companhia . Olha, estes são investidores que se acostumaram a adotarem o discurso da livre iniciativa, mas sem abrirem mão do paternalismo estatal. Sabemos que há setores da economia em que os empresários enchem a boca para falar de democracia, competitividade, entre outros arreganhos, mas que, na moita, sempre pedem um favorzinho do tipo reserva de mercado que os beneficie, num conflito de interesses descarados e um privilégio imoral abusivo. São empresas que não conseguem competir sem os favores que o Estado lhes pode conceder, por serem incompetentes de andarem sozinhas.

A intervenção do governo na Vale pode, neste momento, sequer redundar em algum prejuízo direto para o país. Contudo, e na medida em que a iniciativa privada não reage para impedir ações deste tipo, acaba penalizando-se a si mesma, já que se tornará refém de um mercado onde as regras sempre são distorcidas em favor dos interesses partidários, nunca em benefício da sociedade.

A presença do Estado brasileiro, gostem ou não, acaba sufocando o próprio desenvolvimento do país, já que se suga das atividades produtivas a rentabilidade que estas necessitam para sobreviverem num mundo de alta competição. E o que é pior: esta energia que é retirada acaba não retornando em benefício da própria sociedade.

Ora, o que vem a ser o custo Brasil? Ou então, por que o país precisa conviver com anos de crescimento contido, seguido de um ano virtuoso ao qual não se dá sequência justamente por falta de sustentabilidade? Quem perde? Quem ganha?

A sociedade brasileira, aquele que trabalha e produz, que gera renda e empregos, não pode ficar refém do interesse político exclusivamente. O papel que cabe ao Estado é de regulador, coisa do qual o atual governo se mantém distante, já que não cumpre suas tarefas mais primordiais e da energia que suga da sociedade acaba despendendo a totalidade sua autopreservação unicamente. Compete ao Estado ainda remover os obstáculos que mantém as amarras e impede o país de se desenvolver naturalmente.

Portanto, agem certo os que criticam e condenam este abuso desmesurado do governo em intervir em áreas para os quais não tem nem vocação muito menos competência para atuar. O governo deve atuar para ser indutor, e não um obstáculo ao crescimento do país.

Qual segurança terão os empresários sérios em investir num país que não respeitar seus próprios limites? Como se pode apostar credibilidade num país em que as regras são transvestidas de acordo com os baixos interesses e conveniência da política de ocasião?

A questão acima, sobre a intervenção abusiva e indevida no mercado do álcool combustível, já se vê, provoca retração nos investimentos. Quem perde? Quem ganha? Não é preciso ir muito além para nos darmos conta de que a ingerência excessiva do Estado sobre a economia, em ações que não combinam com o perfil que competiria aos Estados modernos, são sim prejudiciais ao desenvolvimento do país.

Além disto, há uma consequência ainda mais grave que a intromissão do Estadão de forma abusiva na Economia é capaz de gerar: como nem todos serão beneficiados pelos privilégios, acaba que, pelo lado político, vai se criar um seleto grupo de fidalgos que se locupletam pela proximidade com o poder, e que se aproveitam da falta de transparência para a realização de negócios escusos. Pelo lado da economia, a concentração de privilégios rouba das classes menos favorecidas a possibilidade de ascenderem econômica e socialmente fruto do mérito e esforço individual. Assim, para aqueles que se submetem ao compadrio, tudo fica liberado. Aos que se pretendem livres, até as leis são distorcidas para os prejudicar. A isto se chama de estado corrupto dentro de uma sociedade que passa longe de se caracterizar como democrática e onde prevalece o estado de direito. Uma sociedade moldada com tais características não deixa de ser opressora por mais branda que sua tirania se realiza.