quinta-feira, abril 07, 2011

O Governo é novo, mas o estelionato é velho.

Adelson Elias Vasconcellos

Abaixo, vocês tem um texto do Estadão, escrito por Julia Dualib e Marcelo Portela, através a gente fica sabendo que dona Dilma, a presidente, que nos dera algumas rasteiras depois de assumir o reinado no Planalto, resolveu brincar de cão e gato e achar que todos somos otários.

Talvez não fosse sua intenção aplicar mais um estelionato eleitoral, a exemplo do que já fizera com o tal “desnecessário equilíbrio fiscal” de que se gabou a campanha eleitoral inteira, e que depois, com um discurso um tanto cínico, ficou o dito pelo não dito, ao anunciar um corte, também fajuto, de 50 bilhões no orçamento deste ano.

Na mesma direção, dona Dilma jurou que a CPMF estaria enterrada não fosse...

... não fosse a necessidade de se injetar “novos” recursos na saúde pública.

Uma de suas bandeiras durante a campanha foi a erradicação da miséria no país. Nem precisou completar cem dias para vir com um papo bem ao estilo do antecessor, a de que, talvez, quatro anos fosse pouco para cumprir com a promessa.

Nesta questão de políticas sociais, creio que o blog já criticou bastante o governo Lula e este início de governo Dilma – no caso dela, mais pelo discursos, do que por ações efetivas – mas também já sugeriu bastante, por entender que, a par das intenções de se praticar o bem, incorrer-se em erro de avaliação. Que erro seria? A de se achar que basta ao Estado distribuir merendas, em diferentes escalas e para diferentes grupos, que a pobreza vai embora. A de que julgar coisa boa eliminar do cidadão sua motivação para ele próprio conquistar sua independência e sua melhoria.

Na medida em que o Estado, com seu fundamentalismo ateu vai se espalhando na socidade4, o que vemos é o oposto do que se pretendia. Este estado “patriarcal”, em lugar algum da história resultou numa sociedade melhor.

Em outro texto, do mesmo Estadão, temos que, ao contrário do anunciado pelo governo Dilma Presidente, as despesas no primeiro trimestre do ano continuam em sua marcha ascendente. Ora, mais adiante, no texto final desta edição, comentando sobre as novas medidas – paliativas, portanto, insuficientes para conter a valorização do real frente ao dólar – apontamos que o governo continua sendo o problema da questão cambial e até da própria inflação, mas se nega, ou porque não se deu conta, ou porque teima em insistir numa política equivocada, em se tornar a solução. Sem que feche o cofre com vontade não há como contornar as dificuldades que se vão desenhando no cenário econômico brasileiro. São muitos os sintomas de descontrole e, muito embora alguns indicadores ainda sejam positivos, o desastre econômico de qualquer país não se faz de um momento para outro nem tampouco se fundamenta em apenas uma causa. São vários fatores de descontrole que se vão acumulando durante um certo tempo até que o desequilíbrio passe a provocar a inversão da equação até certo ponto positiva. Não seremos diferentes do que já foram os tigres asiáticos, ou o México, ou a própria Argentina. Qualquer pesquisa que se fizer nas duas últimas décadas, será fácil perceber que os tigres asiáticos, México e Argentina também desfrutaram, durante um certo tempo, de momentos idênticos pelos quais passa o Brasil no presente. Mas, por acharam que tudo estava no lugar, sentaram-se no conforto de suas conquistas ignorando que a economia, dado seu dinamismo, exige dos países que sua condução seja não apenas criativa, mas que sobretudo, seja administrada levando em conta a mudança dos ventos. O Brasil, hoje, vive um momento de certo conforto, porém, não pode se acomodar à situação presente, precisa avançar, precisa promover as mudanças estruturais para avançar e se manter no patamar em que se encontra, porque uma coisa é certa, e a advertência feita hoje pelo BIRD é relevante: o Brasil está envelhecendo antes de ficar rico.

A gente olha em volta e vê o quanto de dificuldades e desafios temos que enfrentar no curto prazo. Veja-se o caso do apagão de mão de obra: a falta de qualificação é um sintoma da péssima qualidade da educação, cujos gargalos ainda aguardam melhor solução. É totalmente inútil esta compulsão petista de inchar os currículos escolares de novas discip0linas, a maioria inúteis, tirando das disciplinas realmente indispensáveis a carga horária necessária para melhor formação de nossos alunos. Não só isso: o MEC precisa se convencer de que formação de qualidade exige professores de qualidade, com salários melhores. Numa sociedade em que a alta tecnologia impregnou a vida diária de todos, é preciso investir em ensino técnico e parar com essa alucinação de querer formar alunos politicamente ideologizados. É precisamente este lixo de ideologia partidária de esquerda que faz com que apenas 30% dos alunos que ingressaram no ensino fundamental concluam o ensino médio. Senhores: como são os resultados o que efetivamente contam, será que dá para perceberem que o resultado destas metodologias de araque só tem piorado a situação que já era deprimente?

A precariedade da infraestrutura, a situação caótica da infraestrutura, a excessiva burocracia conjugada com um sistema tributário lunático, nada disso, se não resolvido rapidamente, nos elevará para a condição de um crescimento sustentável, capaz de retirar da miséria e da pobreza os milhões de brasileiros que lá se encontram. Não será a multiplicação de bolsas e favores do Estado que nada produz, não gera renda ou riquezas, que darão solução as deficiências sociais que o tornam um país cujo futuro ainda pede construção.

Assim, estes estelionatos que os governos petistas têm cometido apenas para ganhar eleições e se manter no poder, não nos conduzirão a lugar algum. Pegue-se o caso das obras do PAC: o governo anuncia que já gastou bilhões e mais bilhões de reais e o resultado é vergonhoso: não se concretizaram sequer 4% do previsto em saneamento, por exemplo. No tópico das grandes obras, é visível a falta de melhor planejamento para que estas se realizem sem sustos e atropelos como os que termos vistos.



Governo novo, mesmo que seja continuidade do anterior, exigiria uma reavaliação das prioridades até aqui desenhadas. O país continua seguindo sem rumo, sem uma noção exata do ponto em que pretende chegar, sem prioridades nas áreas mais necessárias para garantir um futuro melhor. Os discursos de campanha continua com aquela velha e surrada aura de puro estelionato eleitoral: o anunciado na campanha, se vê, foi apenas para ludibriar os eleitores. Conquistado ou mantido o poder, se insiste em se priorizar unicamente um projeto de poder. Nada além disto. Basta ver o empenho com que a base aliada se atira de cabeça na tal reforma política, como ela fosse a panaceia que há de curar todos os nossos seculares atrasos. Pura ilusão. A tal reforma política está sendo conduzida como uma mudança dos tempos apenas para se manter as velhas oligarquias que mantém o país longe da fronteira da civilidade, e o povo distante dos grandes debates que lhe interessam e lhe dizem respeito.

Agora, o governo que sequer tem o valor exato do tal trem bala, que não sairá por menos de 40 bilhões de reais, se apressa em querer levar avante esta megalomania de querer bancar investimentos de ricos em um país de pobres? Santos Deus, quantas soluções melhores e de menor custo já foram oferecidas e que o governo petista sequer se deu ao trabalho de avaliar?

Enfim, tudo aquilo que já sabemos não nos levarão a lugar algum, continuam sendo a ótica delirante de um governo precário em termos de compromisso com a seriedade e responsabilidade.

Não é a toa que Dilma mesmo antes de completar cem dias no poder, já considera o mandato de quatro anos pequeno demais para cumprir as promessas de campanha, uma delas, a mais visível, a de erradicar a miséria. No fundo, Dilma já está preparando terreno para uma futura reeleição, e transferindo para outro tempo no poder o cumprimento do que prometeu fazer neste mandato. Contudo, fica claro que, enquanto houver miséria para combater, o PT acredita que seu discurso e a forma como governa serão suficientes para se sustentar no Planalto.