quinta-feira, abril 07, 2011

Canalhice: Ministro diz que governo quer Vale alinhada e colaboradora

Comentando a Notícia

Da Folha online com informações da REUTERS. Comentamos em seguida:

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A administração federal gostaria de ver a mineradora Vale alinhada e colaborando com o governo para trabalhar em questões consideradas de "interesse nacional", afirmou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, nesta segunda-feira.

"A Vale precisa contribuir mais fortemente com o desenvolvimento do país", afirmou o ministro a jornalistas após participar de evento em Brasília.

"Nós do governo desejamos que a Vale esteja sempre em linha de colaboração com o próprio governo, para o interesse nacional", acrescentou.

Apesar de serem conhecidas as posições do governo sobre a Vale, por meio de declarações feitas por assessores diretos na condição de anonimato, as colocações de Lobão são talvez as mais diretas até agora sobre o tema feitas por parte de um membro da cúpula do governo.

O ministro expôs o que era um pensamento explícito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que, aparentemente, se manteve no governo atual: o de que a mineradora deve participar mais de programas que tenham o objetivo de desenvolver a indústria brasileira e agregar valor às exportações.

Lobão comentou, por exemplo, a questão do aço. Lula, quando no governo, criticava a falta de investimento da Vale em siderurgia, que poderia agregar valor ao minério, e também o fato de a empresa ter encomendado navios à China, em vez de buscar produzi-los localmente, como faz a Petrobras.

O ministro de Minas e Energia afirmou que uma maior produção de aço no Brasil seria "conveniente e necessária ao povo brasileiro".

Ao ser questionado sobre se a saída de Roger Agnelli da presidência-executiva da Vale facilitaria o alinhamento da companhia aos planos do governo, Lobão afirmou que a mudança não deveria ser vista como algo "anormal", pelo tempo em que o executivo está à frente da mineradora, e que o próprio Agnelli já havia feito algumas ações que atendessem aos desejos do governo.

A Vale construiu uma siderúrgica no Rio de Janeiro, a CSA, com a alemã Thyssen, e foi obrigada a elevar sua participação no projeto após pressão pública feita pelo então presidente Lula. Outra usina está em construção, no Ceará, com as coreanas Dongkuk e Posco; e duas estão com algumas fases ainda dependendo da aprovação no Conselho de Administração, uma no Pará e outra no Espírito Santo.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

As duas afirmações, "A Vale precisa contribuir mais fortemente com o desenvolvimento do país", e "Nós do governo desejamos que a Vale esteja sempre em linha de colaboração com o próprio governo, para o interesse nacional", é de uma arrogância que vai muito além do limite da vigarice.

A Vale, por ser uma empresa privada e com ações em Bolsa de Valores, deve se alinhar aos interesses de seus acionistas. Além disto, em que momento, ou em que ponto, sob a direção de Roger Agnelli, a companhia se desviou de sua principal missão? A Vale não tem que se alinhar com governo nenhum. Isto é conversa fiada para que a companhia fique submissa aos interesses políticos e partidários mais cretinos que se pode alegar.

Semana passada, publicamos um artigo Qual será a taxa de sucesso que o Bradesco receberá? em que fizemos um apanhado dos resultados alcançados pela Vale sob o comando de Agnelli, a saber:

Pois bem, a Revista Exame em sua última edição apontou os feitos de Roger Agnelli à frente da Vale, desde que assumiu sua presidência. Em uma década, Roger Agnelli elevou a receita bruta anual da Vale de 4,1 bilhões para 46,5 bilhões de dólares. O lucro líquido neste período saltou de 1,3 bilhões para estupendos 17,3 bilhões de dólares. O investimento se multiplicou de 1,5 bi para 19,4 bi de dólares. Em valor de mercado, o crescimento foi espetacular: saiu de 10 bi para 173 bi de dólares, tornando-se a segundo maior mineradora do mundo, a maior empresa privada e maior exportadora do país. Em 2010, a Vale pagou 12,5 bilhões de reais em impostos, 3 bilhões de dólares em dividendos a acionistas, e nestes dez anos, investiu cerca de 85 bilhões de dólares em aquisições de outras empresas. Como resultado, enquanto no período o IBOVESPA valorizou cerca de 365%, as ações da Vale se valorizaram em 1700%. São números estupendos, a comprovar tanto exito do processo de privatização de uma estatal que vivia à deriva, como os acertos de um administrador que apenas fez crescer a companhia que comandou por uma década.

Ora, qual destes resultados contraria o objetivo da Vale de “... contribuir mais fortemente com o desenvolvimento do país...”? Desafio alguém do governo, e até mesmo do PT, apontar qual número, um apenas, que contraria o interesse do país.

Pode talvez não ser do interesse do partido na sua tentativa cretina de aparelhar o Estado e “dirigir o interesse nacional” ao seu próprio interesse de poder!!! Mas jamais ao do país que é, afinal, o que mais importa.

As empresas privadas não tem que se alinhar à pilantragem estatal que tanto mal já causou ao país em passado nem tão distante assim. E empresa privada não deve estar a serviço de governo algum, principalmente se este governo é comandado pela linha de atraso do PT, que deseja privatizar para seu uso exclusivo a energia produtiva do país, para instalar sua fieira de vagabundos e desqualificados.