quinta-feira, abril 07, 2011

Resultados ainda frágeis do nosso comércio externo

O Estado de São Paulo

Com um saldo de US$ 3,173 bilhões, o resultado da balança comercial foi muito positivo no primeiro trimestre: aumento de 259,8% sobre o mesmo período do ano passado. A média por dia útil das exportações cresceu 28,5%, mais do que a das importações (23,3%), revertendo a tendência do ano anterior. Mas não se pode omitir a vulnerabilidade desse resultado.

Do lado das exportações, há que se levar em conta o aumento da participação dos produtos básicos, que passa de 39,4%, em 2010, para 44,5%, neste ano, ao passo que a de produtos manufaturados cai de 43,8% para 39%. Já a participação dos semimanufaturados, muitos dos quais estão na fronteira dos básicos, fica praticamente igual.

Não há o que criticar nesse fato, mas apenas observar as razões da expansão das vendas de produtos básicos num momento em que os países do mundo ocidental estão atravessando uma forte queda das suas atividades. Verificamos, na prática, que nossas exportações estão aumentando especialmente para a Ásia \(26,1%) - e mais da metade para a China -, enquanto para os outros blocos econômicos elas ficam estáveis ou caem (caso dos EUA ). Ocorre que os países asiáticos, em fase de desenvolvimento acelerado, precisam de nossas matérias-primas e aceitam pagar preços elevados por elas enquanto estão numa fase de grande expansão. Isso se traduz por uma forte elevação de preços. Em março os preços do minério de ferro apresentavam elevação de mais de 122,8%, em relação ao mesmo mês do ano passado. Trata-se de um caso excepcional, que representou 15,9% do total das exportações. Em outras commodities, subiram mais de 20%.

\Numa perspectiva de longo prazo, podemos imaginar que iremos exportar petróleo bruto a bons preços, dadas as tendências atuais. Mas, levando em conta os custos de extração desse óleo no pré-sal, o valor adicionado não será muito compensador. E a economia chinesa está condenada a afrouxar seu ritmo de crescimento, fato que teremos de sentir.

Assim, seria de bom alvitre enfrentar com maior seriedade a pauta das importações do País. No primeiro trimestre, a maior participação foi de matérias-primas e bens intermediários (45,7%). Dependemos demais de bens intermediários importados a preços muito menores que os da nossa indústria. É preciso enfrentar esse problema para aumentarmos a produção interna de bens de consumo duráveis e, assim, reduzirmos suas importações, que representam 10,6% de nossas compras.