Míriam Leitão
O Globo
O governo aumentou o preço da gasolina para as distribuidoras e zerou a Cide, tributo que incide sobre os combustíveis para que não haja reajuste na bomba. É uma política que incentiva o consumo de um combustível fóssil. Além disso, o país não produz gasolina suficiente para o consumo e tem de importar. Isso está gerando uma série de desequilíbrios na economia.
Em 2002, antes do governo Lula, a Cide representava 25% do combustível; agora, estava 2,7%. Ela foi sendo reduzida para não aumentar o preço que a Petrobras cobra da distribuidora, que é o mesmo desde 2005. Com essa medida do governo, a Cide foi zerada, e ele vai deixar de arrecadar R$ 220 milhões por mês com a gasolina, R$ 200 milhões com o diesel. Essa é a renúncia fiscal. O governo está gastando, ou deixando de arrecadar, para que o consumidor não pague mais. Isso incentiva ainda mais o uso da gasolina; a Petrobras já perdeu este ano R$ 750 milhões só com o preço da gasolina importada. A empresa fornece por um preço menor do que paga; portanto, subsidia a gasolina.
A Petrobras deixa de ganhar, o governo, de arrecadar para que as pessoas optem por um combustível fóssil, que emite gases de efeito estufa, quando temos um substituto, o etanol.
O próprio ministro Mantega disse na Rio+20 que 95% dos carros que estão sendo vendidos este ano são flex, só que o estrangeiro não sabe que estão usando cada vez menos etanol, porque custa mais caro, levando-se em conta que tem um desempenho pior.
Para ajudar o etanol, o governo poderia exigir que as empresas montadoras fizessem motor no qual o desempenho do álcool seja maior.
Há muita contradição. O governo acaba de fazer a Rio+20 e, no último dia, "para comemorar", ele abre mão de R$ 420 milhões por mês para incentivar o consumo de gasolina em detrimento do biocombustível.