quarta-feira, junho 27, 2012

'Brasiguaios' comemoram a mudança no governo do Paraguai


Cassiane Seghatti
Portal G1 

G1 visitou fazendas em Santa Rosa del Monday e Santa Rita, no Paraguai.
Agricultores acreditam que conflitos com campesinos serão amenizados.

(Foto: Roger Marques/RPCTV) 
Valdoir Kaufmann em sua fazenda em Santa Rita, no Paraguai 

Os "brasiguaios" - agricultores brasileiros que vivem no Paraguai, na fronteira com o Brasil - ficaram satisfeitos com a saída de Fernando Lugo e a posse do novo presidente, Federico Franco. Para eles, a mudança no governo do Paraguai será benéfica para os produtores e ajudará a diminuir o conflito entre camponeses e fazendeiros.

“Nós estamos muito felizes. Isso é um avanço para a nossa agricultura”, diz ao G1 o produtor brasileiro Afonso Almiro Schuster, que mora há 39 anos em Santa Rosa del Monday.


(Foto: Roger Marques/RPCTV)
Afonso Schuster, que vive em Santa Rosa del Monday, no Paraguai

Para o agricultor, a saída de Lugo “foi a melhor coisa que podia ter acontecido ao Paraguai". "Neste ano vamos avançar, estamos muito confiantes quanto a isso”, afirma.

Schuster acredita que, com o novo presidente, irão acabar os conflitos entre os campesinos paraguaios e os fazendeiros brasileiros. “Nós, em conjunto com o governo, vamos incentivá-los a trabalhar. A partir de agora, essas ocupações de terra vão ter que terminar”, afirma o produtor.

Para que isso aconteça, segundo Schuster, é preciso que o governo brasileiro reconheça o novo presidente. “Nós precisamos que ela [presidente Dilma Rousseff] diga sim a esse novo governo”, argumenta.

Já o agricultor Protásio José Konzen, de 63 anos, que mora em Santa Rita, diz que ainda é difícil precisar se foi justa a saída de Lugo e a posse de Federico Franco. “Com Lugo ou sem Lugo, tinha que haver uma mudança. Da maneira que estavam indo as coisas, não estava bem”, afirma o brasileiro.


Foto: Roger Marques/RPCTV 
Protásio José Konzen, agricultor brasileiro que vive em Santa Rita, no Paraguai 

Para Konzen, Fernando Lugo "não tomava decisões sérias”. “Quando havia um problema, ele desconversava. Não tomava uma atitude”, reclama.

O brasileiro acredita que a nova mudança dará uma “amenizada” na situação dos conflitos entre fazendeiros e agricultores. “Acho que não se pode desprezar o campesino. O que o governo precisa fazer é tirar esses líderes que são violentos”, diz.

O agricultor também afirma que a maioria dos brasiguaios está “animada e pensando positivo”. “Não é nem pelo novo presidente, mas pela mudança”, complementa.

De acordo com o brasileiro Valdoir Kaufmann, de 39 anos, as primeiras palavras de Franco os deixaram “aliviados”. “Olha, a maioria do pessoal aqui não conhece o novo presidente, mas, pela situação em que estavámos, pior não vamos ficar. Acreditamos que tudo vai melhorar muito”, comenta o agricultor, que vive em Santa Rita há 20 anos.

Afastamento de Lugo
Federico Franco assumiu o governo do Paraguai na sexta-feira (22), após o impeachment de Fernando Lugo. O processo contra ele foi iniciado por conta do conflito agrário que terminou com 17 mortos no interior do país. A oposição acusou Lugo de ter agido mal no caso e de estar governando de maneira "imprópria, negligente e irresponsável".

O processo de impeachment aconteceu rapidamente, depois que o Partido Liberal Radical Autêntico, do então vice-presidente Franco, retirou seu apoio à coalizão do presidente socialista. A votação, na Câmara, aconteceu no dia 21 de junho, resultando na aprovação por 76 votos a 1 – até mesmo parlamentares que integravam partidos da coalizão do governo votaram contra Lugo. No mesmo dia, à tarde, o Senado definiu as regras do processo.

Na tarde de sexta-feira, o Senado do Paraguai afastou Fernando Lugo da presidência. O placar pela condenação e pelo impeachment do socialista foi de 39 senadores contra 4, com 2 abstenções. Federico Franco assumiu a presidência pouco mais de uma hora e meia depois do impeachment de Lugo.

Em discurso, Lugo afirmou que aceitava a decisão do Senado. Ele pediu que seus partidários façam manifestações pacíficas e que "o sangue dos justos" não seja mais uma vez derramado no país.

O país ainda enfrenta a rejeição de muitos vizinhos, que disseram não reconhecer Franco como presidente.