quarta-feira, junho 27, 2012

Brasil sinaliza não intervenção no Paraguai. Não diga, top-top?


Brasil 247
Marcos Chagas*
Repórter da Agência Brasil

Em entrevista, Marco Aurélio Garcia, assessor para Assuntos Internacionais da Presidência condena o impeachment, pelo “rito sumário”, mas também avisa que o governo Dilma irá esperar a crise decantar antes de tomar atitudes

Foto: Edição/247 

Brasília - O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, descartou, a possibilidade de o Brasil e os demais países do Mercosul (Argentina e Uruguai) intervirem em questões internas do Paraguai. Mas Garcia reiterou as críticas do governo brasileiro à forma como foi conduzido o processo de impeachment do presidente Fernando Lugo, que na última sexta-feira (22) foi substituído pelo seu vice, Federico Franco.

Em entrevista à Agência Brasil, Marco Aurélio Garcia rechaçou qualquer atitude que sinalize uma tentativa de intervenção em questões internas paraguaias. Ele reforçou que isso não ocorrerá nem por parte do governo do Brasil, nem do Mercosul.

O Brasil assumirá no fim da próxima semana, em reunião de cúpula, na Argentina, a presidência temporária do bloco, por seis meses, e a pauta principal da reunião deverá ser o impeachment de Lugo. Da parte brasileira, o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência disse que o governo federal vai agir “sintonizado com as medidas adotadas pelo Mercosul”.

Garcia considera “impossível” qualquer reversão do que foi decidido pelo Congresso paraguaio. Para ele, qualquer ação nesse sentido teria que ser tomada “por ações internas” do país. Ele, no entanto, reiterou a postura do governo brasileiro de avaliar o impeachment de Lugo como um “rito sumário” e sem qualquer chance de defesa.

O embaixador do Brasil no Paraguai, Eduardo Santos, chega amanhã (25) a Brasília, quando se reunirá com o chanceler Antonio Patriota para fazer um relato da situação na política no país vizinho. “Em si a convocação do embaixador pelo governo já é um sinal de desconforto com o que aconteceu”, destacou Marco Aurélio Garcia.

O assessor especial acrescentou que, neste primeiro momento, os países integrantes do Mercosul devem chamar seus embaixadores para reunirem informações. A partir daí, a segunda etapa será decidir qual atitude será adotada.

Segundo ele, o momento é para avaliar a situação e “deixar essa crise no Paraguai decantar para ver como vai ficar”. Em um primeiro momento, o embaixador Eduardo Santos fará os relatos a Patriota. Caso a presidenta Dilma Rousseff considere conveniente ter uma conversa com Santos, poderá chamá-lo, disse Marco Aurélio Garcia.

*****COMENTANDO A NOTÍCIA:
Ou Marco Aurélio estava de porre, ou tem ...sei lá... uma tal arrogância, que o faz ver chifres em cabeça de cavalo, e acaba falando o que não deve e não faz sentido. Senão vejamos: afirma que o Brasil não tenciona interver na questão paraguaia. Mesmo que quisesse, o Paraguai é uma nação e, de resto, nada fez que pudesse macular sua democracia e seu estado de direito. Não compete ao Brasil dar pitacos nas questões internas de qualquer país (muito embora a gente não esquece Honduras, outra patetice da nossa política externa). 

Segundo, afirmar que o Brasil vai “... deixar essa crise no Paraguai decantar para ver como vai ficar...”. Mas que crise, cara pálida? Tanto não há que nenhuma das instituições está parada, funcionam normalmente, a imprensa funciona normalmente, o presidente deposto circula livremente, não há movimentos de quebra-quebra nas ruas, o Poder Judiciário declarou constitucional o processo de impeachment. Onde então a crise? Quem quer criar crise do lado de lá da fronteira, são nossos esquerdistas que não se conformam em ver um dos seus capangas apeado do poder. Quem quer fazer rolo são Hugo Chaves e Cristina Kirchner, com o venezuelano e tentando incitar revoltas no meio militar conforme já foi denunciado. Ocorrida, que estes dois cretinos, precisam de “fatores externos” para darem demonstração de força e capacidade política, no intuito de aplacarem as revoltas internas em seus respectivos países. A viúva, então, nem se fala.

Portanto, o melhor que o Brasil  pode fazer é tomar vergonha na cara, parar de se intrometer onde não é chamado,  deixar de ser reboque de totalitários do continente4 e cuidar de sua própria casa porque se tem coisa mais importante para cuidar.  

Quanto ao Mercosul, meu chapa, que ele cresça e apareça, porque sequer competência legal e institucional ele tem para se intrometer em assuntos internos das nações do bloco. Vamos respeitar a soberania alheia. 

E, e para encerrar, o Brasil antes de criticar o Paraguai porque resolveu cumprir a sua lei, que aliás foi criada antes de Lugo assumir, é bom deixar claro, deveria usar o mesmo peso e a mesma medida com que está julgando o Paraguai para os seus parceiros como Argentina, Equador, Bolívia, Venezuela e Cuba principalmente. No dia em que o Brasil se comportar como defensor da democracia, e como aliado de caudilhos e outros ditadores, como Ahmadinejad, ele terá moral para, ao menos, criticar o Paraguai.