quarta-feira, junho 20, 2012

É bom duvidar do aquecimento global. É ruim apostar contra


Daniel Jelin (*)
Veja online

Um grupo de pesquisadores não se convence de que a Terra esteja esquentando por causa do homem. E isso é bom para a ciência

(iStockphoto/Thinkstock)
'Nada é incontestável em ciência', diz o Nobel Ivar Giaever 

Contam que o filósofo grego Pirro de Élida (séculos IV e III a.C.), pai da escola cética, deixou Anaxarco caído no pântano e seguiu seu passeio, imperturbável, sem se convencer de que o amigo precisava de ajuda. Estava inventando a indiferença - para azar de Anaxarco.

Como Sócrates, Pirro não deixou nada escrito. Coube ao médico Sexto Empírico (séculos II e III d.C.) compilar e dar forma à tradição do ceticismo pirrônico. Ao fazê-lo, distinguiu três tipos de pensador: o dogmático, o acadêmico (da Academia de Platão) e o cético. O primeiro acredita conhecer a verdade. O segundo acha isso impossível. O último continua investigando ('sképsis', donde o termo ceticismo). É uma definição discutível da escola platônica, mas ilustra bem o papel que os céticos reclamam para si: demolir dogmas.

Sexto Empírico foi redescoberto no século XVI. O francês Michel de Montaigne ficou impressionadíssimo. Tornou-se leitor devoto, adotou dos antigos céticos a suspensão do juízo e acabou legando, com seus Ensaios, um novo gênero literário, em que a busca e a experimentação predominam sobre conclusões e teses generalizantes. De um dos Ensaios, consta a famosa divisa que Montaigne mandou gravar numa medalha: 'que sais-je?' ('que sei eu?').

Descartes, no século XVII, também mergulhou fundo na dúvida. Fez tábula rasa do legado dos antigos, chegou a questionar a própria existência, mas emergiu com um tratado para 'bem conduzir a razão e procurar a verdade nas ciências', conforme o subtítulo do famoso Discurso sobre o Método, marco da ciência e da filosofia moderna.

O ceticismo pode ser paralisante, demolidor, prudente ou estimulante. É, de qualquer forma, o estado natural do cientista, e não deveria causar desconforto o fato de um punhado de cientistas não se dobrar à convicção majoritária de que: a Terra está esquentando; a culpa é do homem; as emissões de gases devem ser contidas; se não, virá a catástrofe. Mas causa - e como.

A patrulha - Richard Lindzen, físico respeitado do MIT, não descarta que a temperatura da Terra esteja subindo, nem que o homem tenha parte nisso. Mas - heresia! - acha que o planeta vai se reequilibrar, e que não será preciso reduzir as emissões de gases do efeito estufa 5% abaixo dos níveis de 1990, conforme postula o Protocolo de Kyoto. Seus colegas não perdoam. Christopher S. Bretherton, da Universidade de Washington, acha a posição de Lindzen 'intelectualmente desonesta'. Kerry Emanuel, do mesmo MIT que Lindzen, acha 'antiprofissional e irresponsável'.

As declarações autoritárias de Bretherton e Emanuel, feitas em abril ao New York Times, ilustram a verdade inconveniente que o ex-vice-presidente americano Al Gore não quis ver: para prejuízo da ciência, o tema das mudanças climáticas foi sequestrado por todo tipo de engajamento, os discursos políticos de ocasião, os interesses econômicos e, principalmente, as barulhentas utopias ambientalistas.

O cético Lindzen é um dos 16 autores de um artigo, publicado pelo Wall Street Journal no início do ano, que enfureceu a patrulha ambientalista. Nele, pesquisadores de diferentes disciplinas dizem que 'não é preciso entrar em pânico por causa do aquecimento global', acusam o cerco aos céticos e reclamam o direito - básico - à discordância, mencionando o caso do norueguês Ivar Giaever.

Vencedor do Prêmio Nobel de física de 1973, Giaever se desligou em setembro de 2011 da respeitada Sociedade Americana de Física em protesto contra o engajamento da entidade na causa ambientalista, expressa em um comunicado que dizia haver evidências incontestáveis do aquecimento global. 'Incontestável não é uma palavra científica', disse, na ocasião. 'Nada é incontestável em ciência.'

O pecado dos céticos - Ao artigo de Lindzen e cia., seguiu-se, primeiro, a refutação de 38 cientistas. Em artigo também publicado no WSJ, estes pesquisadores rebatem os dados e acusam os outros 16 de... ignorar o consenso: 'pesquisa mostra que 97% dos cientistas com produção ativa na área concorda que a mudança climática é real e causada pelo homem.' E defendem a reserva de mercado: 'consulte um climatólogo para opiniões sobre o clima'. Paralelamente, a patrulha ambientalista atuou de forma mais pesada e cobriu metade dos 16 cientistas com a suspeita de servir aos interesses da indústria do petróleo e do gás.

Esta reação demonstra algumas das críticas mais recorrentes aos céticos: que eles não publicam suas ideias nas revistas mais importantes; que falam muito à imprensa e pouco nos congressos científicos; que não têm formação em climatologia (ou formação qualquer); que devem seu trabalho ao financiamento das corporações. Há alguma verdade nisso, mas de modo nada surpreendente.

A publicação científica é regulada pelos próprios cientistas (o chamado peer review, a revisão pelos pares), o que torna quase impossível furar uma convicção hegemônica. Em 2003, Chris de Freitas, então editor do Climate Research, foi alvo de uma campanha que pedia seu afastamento por ter permitido a publicação de um artigo da lavra da turma do contra.

Também o financiamento científico é decidido, em grande parte, pelos próprios pesquisadores. Não admira que as vozes dissonantes sejam mais ouvidas fora da panela acadêmica. E que achem financiamento no setor privado, em particular nas corporações mais combatidas pelos ambientalistas, alvo das mais descabeladas propostas de taxação 'verde'. A tal pesquisa que saiu na Climate Research tinha entre seus apoiadores o American Petroleum Institute e a Nasa. Quanto à acusação de melar a observação científica em favor de interesses escusos, bom, aí é reduzir o dissenso à má fé.

Alarmismo a qualquer custo  - 
Na tentativa de tutelar a opinião pública, os engajados não poupam esforços. James Lovelock, o guru dos ambientalistas, chegou a prever que: o flagelo ambiental vai reduzir a população mundial dos atuais 7 bilhões para 600 milhões; o Saara vai avançar sobre a Europa; Miami, Londres e Pequim se tornarão inabitáveis;  o resto da humanidade vai viver confinada no Ártico. Quando foi capa da revista Rolling Stone, Lovelock era o incensado 'profeta das mudanças climáticas'. Em maio de 2012, aos 92 anos, Lovelock recuou e admitiu ter exagerado nas previsões (não diga!). Só que agora tentam reduzi-lo a uma caricatura. A explicação: a especialidade de Lovelock não é o clima.

"O ambientalismo tem sido usado para propósitos muito diferentes", diz o jornalista inglês James Delingpole, um dos mais articulados críticos do alarmismo, em entrevista a VEJA desta semana. "Tornou-se um ataque ao sistema capitalista e à liberdade de mercado. Isso ajudou a incrementar taxações e regulamentações que se revelaram um suicídio, e que estão aprofundando a crise econômica."

Foi Delingpole, em seu blog no jornal The Telegraph, quem cunhou a expressão 'climagate' para o escândalo envolvendo cientistas do IPCC, o painel de mudanças climáticas da ONU, vencedor do Nobel da Paz. Em 2009, um grupo de hackers invadiu a conta de e-mails de renomados pesquisadores do painel da ONU e divulgou sua correspondência na internet. Revelou-se então a disposição de alguns trapalhões em esconder dados que não corroboravam o pensamento único do aquecimento global. O climatologista inglês Phil Jones, um dos papas da climatologia, admitiu a manipulação. Em 2010, o painel da ONU sofreu novo abalo quando veio à tona que uma pesquisa que previa o derretimento de todo o gelo do Himalaia até 2035 não tinha fundamento nenhum.

O estado da arte e as incertezas do clima - 
As escorregadas são graves, mas não desautorizam o IPCC, que continua sendo o principal fórum do clima. A compilação feita pelo painel da ONU é o estado da arte das pesquisas do clima. É fanatismo puro - de sinal trocado - comparar quem leva a sério as conclusões de milhares de cientistas a assassinos notórios,como recentemente fez um think tank de Chicago, o Heartland Institute. Só que não dá para tomar os relatórios do IPCC com uma espécie de consenso definitivo - consenso é para os políticos.

Além de tudo, é bom esclarecer que, da constatação do aquecimento global à identificação das causas, dos efeitos e ações reparadoras, o dissenso aumenta. Assim, são poucos os cientistas que, como o físico brasileiro Luiz Carlos Molion, acreditam que a Terra simplesmente não está esquentando (ao contrário, estaríamos caminhando para uma nova era do gelo) . Menos raros, mas ainda uma minoria, são os que admitem o aumento de temperatura, mas não estão convencidos da influência humana. É gente como Henrik Svensmark, físico dinamarquês, que atribui papel mais decisivo na oscilação da temperatura a explosões estelares a milhões de anos-luz de distância. Quanto à credibilidade dos modelos matemáticos que projetam o futuro do clima, aí a divergência aumenta consideravelmente, e há cenários para todo tipo de espírito: otimistas, moderados, pessimistas, catastrofistas etc.

Em carta aberta à presidente Dilma Rousseff, divulgada em maio, Molion e outros 17 cientistas brasileiros - geólogos, geógrafos, engenheiros, meteorologistas e físicos - fazem uma dura crítica ao alarmismo, negam a influência humana no clima global e cobram 'uma guinada para o futuro' na Rio+20: 'o alarmismo ambientalista, em geral, e climático, em particular, terá que ser substituído por uma estratégia que privilegie os princípios científicos, o bem comum e o bom senso.'

Para o físico e matemático anglo-americano Freeman Dyson, um dos mais moderados críticos da hipótese do aquecimento global causado pelo homem, as modelagens climáticas até funcionam para o movimento da atmosfera e dos oceanos, mas são muito ruins para lidar com as nuvens, os campos e as florestas. "De forma alguma estes modelos descrevem o verdadeiro mundo em que vivemos", diz.

Esta divergência é própria da ciência - em particular das ciências naturais, cujo objeto de estudo não se reproduz em laboratório. Investigar essas zonas cinzentas é justamente o que permite aperfeiçoar as projeções climáticas. Dyson condena o ostracismo a que são condenados cientistas que tentam furar a hegemonia do aquecimento global. "O mundo sempre precisou dos 'hereges' para desafiar as ortodoxias."

"A principal fonte de incerteza para a pesquisa do clima é a influência das partículas de aerossois, nuvens e precipitações na temperatura da Terra", diz o físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo. Artaxo é membro da equipe do IPCC e está convencido do impacto humano no clima e da necessidade de baixar as emissões de CO2. "O sistema climático é extremamente complexo e de comportamento caótico. Por causa disso, é muito difícil ou até impossível fazer previsões exatas. E é possível que seja sempre assim", afirma Artaxo. "Mas isso não quer dizer que o homem deva continuar usando os recursos naturais da Terra até que eles se esgotem ou lançando na atmosfera partículas e substâncias poluentes, comprometendo o equilíbrio do planeta."

Ceticismo e imobilismo - 
Mas afinal, quem tem razão? Que sais-je?! A pergunta pode ser enganosa. Não é necessário dar razão ao IPCC ou aos céticos. Para os pesquisadores que não se entregaram ao engajamento barato, a disputa é uma só: por uma ciência do clima mais robusta.

No fim da vida, o genial matemático, físico e filósofo Blaise Pascal era tudo menos um cético. Cristão fervoroso, retirou-se do mundo e passou a dedicar-se ao proselitismo religioso. Em sua cruzada evangelizadora, desenvolveu um curioso argumento para superar o impasse da fé. O raciocínio é o seguinte: se Deus existe, o fiel se salva, e o infiel é condenado à danação eterna; se Ele não existe, tanto faz ter sido devoto ou não. Disso se deduz que, em qualquer caso, o crente tem muito a ganhar e nada a perder, e o descrente, nada a ganhar e muito a perder. É a chamada 'aposta de Pascal'.

Claro, o argumento perde força - toda a força, pode-se argumentar - quando se considera que o infiel correrá sempre o risco de converter-se à religião errada. Ou quando se descobre que a aposta tem um custo: o tempo de devoção, o sacrifício de certos hábitos etc.

O paralelo com o aquecimento global - feito religião pelos ambientalistas  - é tentador. O que se ganha apostando no aquecimento global? Se a maioria dos cientistas estiver mesmo com a razão, temos muito a ganhar ao incentivar desde já uma cadeia produtiva mais limpa e muito a perder se ignorarmos os alertas da comunidade científica. E se o aquecimento global for uma ficção? Ainda assim ganhamos com o combate à poluição, a fiscalização das queimadas, a pesquisa de energias renováveis etc.

Mas aqui também há o risco de converter-se ao 'aquecimento global' errado - daí a enorme responsabilidade do IPCC. A aposta no desenvolvimento sustentável só faz sentido protegida do fanatismo dos que cobram o sacrifício da modernidade, a devoção à causa ambientalista e a interdição do debate científico.

Conheça abaixo algumas das visões alternativas ao aquecimento global:

Richard Lindzen
Richard Lindzen tem ampla produção científica em periódicos de impacto e participação no relatório da ONU sobre as mudanças climáticas. Ele não descarta que o mundo esteja aquecendo, nem que esse aquecimento é provocado pelo homem, mas tem uma opinião diferente sobre o que pode ser feito para salvar o planeta. Ele é contrário à criação de impostos 'verdes', que visam à redução das emissões, ou de outros artifícios. Na verdade, o físico, que ocupa a cátedra Alfred P. Sloan no respeitado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, pensa que não será preciso fazer nada. O planeta se equilibrará sozinho, sem prejudicar a vida de ninguém: plantas, animais ou seres humanos.

Lindzen entende que o aumento de temperatura nos trópicos resultaria na redução da formação de nuvens. Sem nada no caminho para conter o calor da superfície, mais radiação escaparia ao espaço, e a temperatura seria compensada. Como a íris do olho, que aumenta ou diminui de tamanho dependendo da quantidade de luz, o clima da Terra se adaptaria naturalmente à quantidade de calor e gás carbônico na atmosfera, mantendo o mesmo equilíbrio que se observa hoje.

A hipótese de Lidzen incomoda porque as nuvens são uma espécie de calcanhar de Aquiles dos cientistas que defendem a hipótese do aquecimento global causado pelo homem. Ninguém consegue ainda prever como e onde elas se formarão em um futuro muito distante. Por consequência, ninguém sabe dizer com certeza qual é o papel delas no aquecimento do globo nas próximas décadas.

Henrik Svensmark
Para o dinamarquês Henrik Svensmark, o aquecimento da Terra pode ser explicado pela cosmoclimatologia, uma teoria que ele próprio desenvolveu pela primeira vez na forma de um artigo publicado em 2007 no periódico Astronomy & Geophysics. Svensmark é o diretor de pesquisas solares do centro de pesquisas espaciais da Dinamarca.

O físico acredita que o aumento de temperatura da Terra está intimamente ligado com a atividade do Sol e com os raios cósmicos, feixes de energia que surgem da explosão de estrelas distantes. Se Svensmark estiver certo, o gás carbônico deixaria de ser o protagonista do aquecimento global e se tornaria mero coadjuvante.

Svensmark é outro cientista que tenta acertar o 'calcanhar de aquiles' dos cientistas que defendem o aquecimento global causado pelo homem e suas emissões: a formação de nuvens.  Em 2007, o físico publicou o livro The Chilling Stars: A New Theory of Climate Change. Nele, usa a cosmoclimatologia para explicar como os raios cósmicos exercem mais influência no clima do que o gás carbônico emitido pelo homem.

O cientista argumenta que, durante os últimos 100 anos, os raios cósmicos estão mais escassos porque uma vigorosa e incomum atividade solar impediu que muitos deles atingissem a Terra. De acordo com Svensmark, menos raios cósmicos significa menos nuvens... e um mundo mais aquecido.

Freeman Dyson
Freeman Dyson é talvez o mais moderado dos cientistas que criticam o aquecimento global causado por fontes humanas. O pesquisador anglo-americano é matemático e físico teórico. Ficou famoso por trabalhos em física quântica, astronomia e engenharia nuclear. Dyson não tenta dar explicações alternativas ao aquecimento global. Ele concorda com tese defendida pela maioria, a de que o aquecimento global está sendo causado pela queima de combustíveis fósseis.

As críticas de Dyson ao movimento científico em torno do aquecimento global são de ordem metodológica. Para ele, os atuais modelos que simulam o clima não levam em consideração fatores importantíssimos, o que minaria sua credibilidade. De acordo com o físico, as projeções traçadas por esses modelos contêm muitos erros e ainda não podem ser considerados confiáveis. Por causa disso, elas não poderiam prever, com segurança, o comportamento do clima no futuro.

Dyson admite que os modelos atuais sejam bons para descrever o movimento da atmosfera e dos oceanos. Contudo, são péssimos para lidar com as nuvens, a poeira, a química e a biologia dos campos, fazendas e florestas. "De forma alguma descrevem o verdadeiro mundo em que vivemos."

O físico critica o ostracismo de cientistas que tentam encontrar buracos na opinião 'mainstream' sobre o aquecimento global. Para Dyson, os 'hereges' são uma importante força motriz para o progresso científico. "O mundo sempre precisou de hereges para desafiar as ortodoxias."

Luiz Carlos Molion
O professor Luiz Carlos Molion não acredita que a Terra está esquentando, nem que o homem tenha qualquer papel na mecânica do clima. Molion tem credenciais para tratar do tema. É físico formado pela USP, professor associado da Universidade Federal do Alagoas, doutor pela Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, pós-doutor pela Universidade de Wallingford, na Inglaterra, e é membro do grupo gestor da Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial.

O ceticismo de Molion passa pelos polos da Terra. Uma das formas de entender como funcionava o clima do planeta há milhares de anos é analisando a composição química de colunas de gelo retiradas dos polos. Isoladas do homem e da rotina diária do restante do planeta, essas regiões são como bibliotecas geológicas, acumulando dados valiosos sobre o que aconteceu com o clima há milhares de anos. Quanto mais fundo se cava, mais ao passado se chega. Isso porque o material presente na atmosfera da Terra foi acumulando lentamente com o passar das eras.

Molion destaca que dados retirados de colunas de gelo da Antártida mostram que nos últimos 400.000 anos a Terra teve uma temperatura média de seis a dez graus mais quente do que agora. Se a temperatura era maior, o gás carbônico — o vilão do aquecimento global, uma substância que em grandes quantidades pode acelerar o efeito estufa — deveria então ser abundante na atmosfera, provavelmente muito mais do que o observado hoje. Mas não foi isso que as colunas mostraram. A concentração de gás carbônico era 30% menor que os níveis atuais. Molion defende que o clima da Terra é governado pelos oceanos e por fatores externos, como a emissão de raios gama e a atividade solar.

Molion nada contra a maré (não acredita, por exemplo, que a camada de ozônio estava correndo o risco de ser destruída pelo homem). Para o físico, o aquecimento global é um instrumento político para frear o desenvolvimento dos países mais pobres. A Terra, diz, caminha para uma era glacial. A tendência nos próximos 100.000 anos seria de resfriamento.

(*) Com reportagem de Marco Túlio Pires e Talita Fernandes