Adriano Pires
O Globo
Na quinta-feira, 14 de junho, a Petrobras anunciou o novo plano de negócios para o período entre 2012 a 2016 com uma previsão de volume de investimento de US$ 236,5 bilhões, um valor US$ 11 bilhões maior que o plano anterior para 2011 a 2015. O plano foi aprovado na primeira reunião, ao contrário do ano anterior em que a estatal precisou de três reuniões para definir seu plano de negócios, indicando maior convergência de interesses entre a nova diretoria e o governo. Diferenciando-se da administração anterior, cuja sequência de metas que não foram alcançadas afetou a credibilidade da empresa, o principal ponto positivo do plano é o fato de estar mais ancorado em metodologias de investimento, busca no aumento de eficiência operacional e metas de produção mais realistas. No entanto, a falta de ações de curto prazo, tais como o alinhamento dos preços de combustíveis domésticos aos preços internacionais, flexibilização da política de conteúdo local e adiamento do investimento em refinarias, fez com que o plano tenha sido mal recebido pelo mercado.
Do total de US$ 236,5 bilhões de investimento do plano, US$ 208,7 bilhões são considerados investimento comprometido e os US$ 27,8 bilhões restantes são projetos sob avaliação que podem ser cancelados ou adiados. O investimento no segmento de Exploração e Produção (E&P) será de US$ 141,8 bilhões, sendo 97% de investimentos comprometidos e 3% sob avaliação. O investimento no segmento de Refino será de US$ 65,5 bilhões, sendo que 79% está comprometido e 21% está sob avaliação. O investimento em E&P está praticamente todo aprovado, enquanto o investimento em refino apresenta o maior percentual sujeito a avaliação. Isso mostra que poderão ocorrer adiamentos ou mesmo cancelamento de algumas refinarias anunciadas no Plano anterior. Para os restantes segmentos a projeção de investimento é de US$ 29,3 bilhões, sendo que 69% está comprometido e 31% está sob avaliação. Mesmo com a possibilidade de redução de investimentos, permanecem dúvidas quanto à capacidade da estatal em se financiar sem ultrapassar seu limite de alavancagem, uma vez que há questões importantes prejudicando a capacidade de geração de caixa da Petrobras que não estão sendo resolvidas.
A principal é a política de preços de combustíveis, que tem afetado negativamente os resultados da empresa há mais de um ano ao manter uma grande defasagem do preço de gasolina e diesel em relação aos preços internacionais. Mesmo com a queda do preço do petróleo no último mês, a perspectiva de pequeno aumento de capacidade de refino até 2016 e a persistente defasagem, agora sofrendo a influência da desvalorização do real frente ao dólar, indicam que a Petrobras continuará a importar combustíveis com prejuízo e perder receita com a venda dos derivados. Não resta dúvida que o novo plano apresenta metas para 2016 mais realistas do que o anterior, contudo nada garante que desta vez serão cumpridas. O fato é que a Petrobras nos últimos anos gerou uma desconfiança no mercado por ter, quase sempre, não cumprido com as metas de produção apresentadas nos seus Planos de Negócio. Isso fez com que o plano não tenha sido bem recebido pelo mercado. Para resgatar a confiança do mercado não basta apresentar um plano mais bem elaborado e com indícios de um maior realismo. O que o mercado esperava é que a divulgação do novo plano viesse acompanhado do anúncio de medidas, como o aumento do preço da gasolina e do diesel e uma flexibilização da política de conteúdo local. Caso isso tivesse ocorrido, aí sim estaria dada uma mensagem concreta de que a estatal estava passando a ter uma gestão mais técnica e comprometida com as metas anunciadas. Como isso não aconteceu, o mercado desconfia que o novo plano é mais do mesmo.