Adelson Elias Vasconcellos
Ainda vou voltar a este tema, até porque ele explica as porcarias que inundaram a vida pública brasileira. Mas preciso registrar um comentário para que o leitor vá refletindo sobre a degradação implementada pelo PT não apenas no cenário político mas, de resto, no próprio pensamento brasileiro, não excluindo daí sequer a teia de valores que, pouco a pouco, vão ruindo e cedendo espaço ao baguncismo, ao vale tudo, a selvageria.
Vimos nesta edição e na anterior algumas matérias sobre a reação negativa de algumas áreas do governo federal em cumprirem a Lei de Acesso à Informação. Estejam certos: ela é mais felina ainda do que parece. E tudo tem um ponto em comum: ela, a tal lei, atinge em cheio a elite estatal criada, mantida e subsidiada pelo PT – com dinheiro público, é lógico – na administração federal. Escancara de modo inquestionável o cinismo do discurso que se tornou tão comum de que os servidores públicos são uns sacrificados, ganham pouco, e que por isso, todos os anos, precisam renovar seus movimentos de greve penalizando ainda mais os contribuintes que já pagam uma fortuna em impostos para terem serviços públicos miseráveis, e ainda precisam enfrentar a interrupção destes serviços para os “coitados” reclamarem de seus ganhos tão “minguados”.
Assim, na medida em que a lei for sendo cumprida, a sociedade vai tomar conhecimento da elite estatal que se formou na alta esfera da administração federal, e que não encontra paralelo em país nenhum do mundo.
Quando se diz faltarem recursos para investimentos, ou quando se justificam a péssima qualidade dos serviços que o Estado está obrigado a pagar, estejam certos que a grande razão para esta escassez de vergonha na cara – porque é isto mesmo que se passa – estejam certos que é a farra da elite estatal, disseminada em estatais – muitas inúteis – ministérios, secretarias e outras bugigangas mais que formam esta paquidérmica estrutura do Estado brasileiro, que corrói, mês a mês, ano a ano, os recursos que deveriam reverter em benefício da sociedade. Contudo, o PT, e não é de hoje, com um discurso cínico, preconceituoso e demagógico, foi incitando os diferentes sindicatos que representam os servidores, à exigências cada vez mais abusadas. Como nossa classe política sempre foi, do ponto de vista do interesse do país, uma categoria irresponsável, dedicando-se mais aqueles esquemas de submundo, foi concedendo cada vez mais regalias e abrindo uma vala enorme que hoje separa uma verdadeira elite assentada na administração estatal, do restante da sociedade.
No artigo que transcrevemos do Ricardo Setti, sobre a vergonhosa “folha” de pagamentos da Câmara Municipal de São Paulo, temos ali um parco exemplo do mundo faraônico que se criou, com o dinheiro público, em favor desta elite. Querem mais exemplos? Acompanhem na internet e nos imprensa a lista de editais para concursos públicos e observem os salários que são oferecidos. E agora os comparem com o que o restante do país paga para os trabalhadores. Não é a toa que a britânica “The Economist” classificou os salários dos servidores públicos brasileiros de “roubo”. Por no fundo, é, de fato, um roubo. Rouba-se da sociedade o seu direito inalienável de ter um país melhor, mais justo, com menos carências, com saúde, educação, segurança e transporte melhores, para agraciar uma elite que, em tese deveria servir à esta sociedade, e que apenas se serve, se regala, numa abundância inexplicável e injustificável.
Mas esta elite não é composta apenas de servidores públicos, a ela se soma a classe política pó inteiro. Como já afirmei certa vez, eles deixaram de ser simples sanguessugas, para transformarem-se em gigolôs da Nação. Exemplo típico está nesta nota do Ilimar Franco, para o Globo: “(...)O Ministério Público entrou na Justiça contra o alto custo da assistência médica prestada aos senadores. Alega que há distorções nos valores pagos. Um senador chegou a gastar R$ 740 mil num convênio. O benefício é vitalício e não há limite para as despesas médicas de senador em exercício e dependentes. O MP aponta falta de critérios nos procedimentos cobertos, dando margem a gastos abusivos. Um senador ganhou reembolso de R$ 78 mil pela colocação de 22 coroas de porcelana.(...)”. É ou não é revoltante?
Por isto o tema merece ser aprofundado, e por tudo isto é que a reação desta elite ao cumprimento da Lei de Acesso à Informação, porque ela escancara o mundo vergonhoso em que vive esta elite da fantasia.
Portanto, quando ouvirem os petistas, esquerdistas, socialistas e toda a tralha de devassos que proclamam um discurso em “nome” dos trabalhadores, não se deixem enganar: eles não falam em nome dos trabalhadores, dos milhares de servidores públicos espalhados pelos quatro cantos do país. Falam em nome de uma parcela deles, daqueles que são, em essência, ao lado de toda a classe política, a verdadeira elite sanguinária deste país. Como a lei mostra as garras desta tropa, a sua reação à transparência que a lei impõe tem sido forte e tende a se tornar mais feroz ainda. Um exemplo de como os canalhas estão reagindo, é a lei que a Câmara de Deputados tentará impor, a de se eliminar os tetos salariais do funcionalismo. Se a sociedade não reagir depressa e cobrar e exigir a derrubada desta vergonha, a farra desta elite fugirá ao controle.
Por princípio, sempre fui favorável que todo o trabalhador deve ser bem remunerado. Vale para o da iniciativa privada como também para o servidor público. Contudo, esta remuneração tem que atender a dois requisitos básicos: uma, a capacidade do empregador em pagar o valor contratado. E para tanto, ele não deve comprometer a qualidade dos produtos e serviços de sua empresa apenas para pagar salários. E, em segundo lugar, a remuneração tem que se ajustar a qualidade do serviço prestado. Se atentarmos para estas duas condições, veremos que, nem o servidor público presta um serviço condigno à sociedade, tampouco o Estado tem condições de manter o padrão atualmente empregado, em razão de que se está desviando recursos das obrigações do Estado em servir à sociedade, para agraciar uma casta de funcionários que, regra geral, pouco ou nada acrescenta à sociedade que lhe paga os altos ganhos.
Em contrapartida à Lei de Acesso à Informação que vem desnudando este submundo imoral, agora a Câmara quer aliviar a imoralidade de se submeter a um teto, pelo menos indecente do que já é? Negativo, meu camarada! Submetam tal regrinha à aprovação popular e vamos ver se o povo vai concordar com a esculhambação que se pretende instalar no serviço público! Vamos, gente fina, tenham coragem para enfrentar aquele que é, afinal, o seu patrão, ou seja, o povo brasileiro!
EM TEMPO:
Querem saber quem é o artista que quer acabar com o teto salarial do funcionalismo? O pai da criança é o cidadão que aparece na foto abaixo. Segue o "currículo" do cidadão para que seus eleitores (ou vítimas?) saibam o que fazer com ele na próxima eleição. Que vá trabalhar e mamar em outra freguesia!!! Os dados são do Lauro jardim, Radar, Veja online.
Made in baixo clero
Relator do fim do teto salarial
Mais impopular do que nunca para o meio político, a proposta que tenta acabar com o teto salarial dos servidores públicos, aprovada por uma comissão da Câmara nesta semana, só poderia ter saído do gabinete do deputado mineiro Mauro Lopes.
Notório integrante do baixo clero da Câmara, Lopes, relator da matéria, é desses parlamentares despreocupados com a própria biografia, que não hesita em servir aos mais constrangedores interesses corporativistas do parlamento.
Para se ter uma ideia, quando quase todos os integrantes do Conselho de Ética da Câmara evitavam defender Jaqueline Roriz, Lopes não só virou seu defensor como também votou publicamente pela absolvição da colega flagrada recebendo dinheiro sujo de Durval Barbosa.
