domingo, junho 24, 2012

O descaso do governo com a educação brasileira.


Adelson Elias Vasconcellos

Já disse aqui outras vezes, mas  vale repetir. Posso não concordar sempre com a opinião deste ou daquele jornalista. Contudo, não o descarto da leitura diária em busca de informações. Quando determinado jornalista põe de lado uma posição pessoal, e se dedica apenas em repassar uma informação, não há porque duvidar da informação. É o caso de Elio Gaspari que escreve para a Folha de São Paulo.

Em sua coluna deste domingo, há uma informação sobre educação que é o retrato doloroso de como a educação brasileira é destratada (para não dizer abandonada),  e só é lembrada em tempos de eleições. Muitas vezes já discordei do Gaspari, contudo, jamais neguei-lhe apontar sua correção quando apenas informa. 

Retomando. Se houvesse eleição para engraxate de prefeito, por certo, os candidatos todos subiriam na sua caixeta, e explodiram num bom verbo: minha prioridade maior será cuidar da educação deste país.

Creio já devo ter escrito uma dúzia de artigos comprovando que, apesar do discurso, não há a menor chance da elite política  brasileira  vir, no presente ou no futuro, considerar a educação como a chave mestra que dará qualidade ao desenvolvimento brasileiro, além de ser a mola propulsora para resgatar as dívidas sociais do país para com sua população. Não há interesse algum. Entendem que povo burro, analfabeto e desinformado é massa de manobra política fácil. Com qualquer bolsa caça voto doada para o  indivíduo não morrer e tomar suas biritas no fim de semana, entendem ser suficiente.

O relato que Gaspari faz sobre a situação de penúria a que o governo federal relegou o tradicional Colégio Pedro II, resume bem estes conceitos.  Um descaso total.  Lembrando que esta corja que faz a política e diz governar o país, está sempre a cata de mais vantagens, benefícios e imoralidades para si mesmos. Temos uma elite estatal que agora pressiona o Congresso para se acabar com o teto salarial do funcionalismo (o que seria um desastre para o equilíbrio fiscal), prevendo, claro, aumentar ainda mais o índice de roubo aos cofres públicos. Enquanto isso, a classe que realmente trabalha, paga impostos absurdos, a tal ponto que com menos de três salários já é assaltada em seus ganhos com imposto de renda na fonte, continua sendo tratada à míngua. E até vou dispensar comentar a safadeza do governo para com os aposentados da iniciativa privada.   

Hoje, o ensino superior não apenas está parado em greve, junto com as escolas técnicas. Ele está atolado em total falta de condições materiais, com alunos tendo de assistir aulas em colégios da rede pública, ou por falta de salas ou pelas más condições em que se encontram outras. É herança maldita chamada Fernando Haddad. E este picareta ainda quer ser prefeito da capital paulista!. Deus nos livre. Que o povo de São Paulo nãop se deseje enrolar.  Este camarada tem é que ser mantido longe, muito longe de qualquer função pública. 

Como já afirmei em outras vezes, esta cambada tem medo de educar o povo para este acorde de seu pesadelo e mande às favas os gigolôs da Nação.

A seguir, o trecho da coluna do Gaspari sobre o Colégio Pedro II.

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O TRISTE RETRATO DO COLÉGIO PEDRO 2º

Os mestres do Colégio Pedro 2º, joia da coroa do ensino público desde o tempo do Imperador, aderiram à greve dos professores federais. Tornaram-se um exemplo do que o comissariado faz com sua rede de ensino.

Expandiram a estrutura do colégio, que hoje reúne 14 unidades. A de Realengo foi inaugurada por Lula em 2007 e reinaugurada em maio passado pelo comissário Aloizio Mercadante. O quadro docente da franquia Pedro 2º tem 1.179 professores. Deles, 251 são contratados temporários, boias-frias do magistério público.

Se um mestre avulso vai-se embora, uma turma pode ficar sem professor de matemática por meses. Faltam inspetores, técnicos e vigias. Depois da greve de 52 dias do ano passado, o governo prometeu um plano de carreira. Até hoje, nada.

A porcentagem de temporários oscila entre 10% (Humaitá 1) e 37,5% (Realengo 1). Na unidade de educação infantil de Realengo 1, só 2 dos 14 professores são efetivos. De 17 contratados, 7 foram embora. Parte do mobiliário ainda não chegou. A sala de informática tem 18 laptops sem mouse, nem internet.

Governo marqueteiro faz política de educação inaugurando e reinaugurando escolas, contratando obras, encomendando equipamentos que não chegam e prometendo 600 mil tablets inúteis.

Professor, que é bom, nada.

Graças à internet, professores de Stanford e do MIT dão cursos sem escolas. O comissariado tenta inventar escolas sem professores.