Thais Herédia
Portal G1
A economia brasileira anda devagar, muito mais lenta do que se esperava. O resultado do PIB do primeiro trimestre deste ano, divulgado nesta sexta-feira (1) pelo IBGE, surpreendeu pela sua fraqueza. As expectativas variavam entre 0,2% e 0,8% de crescimento nesse período. Mas até os pessimistas consideravam a mais baixa, pessimista até demais.
O resultado revela e sinaliza algumas coisas importantes sobre a nossa economia. A primeira delas é que o país está sendo bastante atingido pela crise internacional. A grande contribuição não tem vindo diretamente da Europa, dona do abacaxi, e sim da China. Os chineses estão vivenciando uma forte redução de sua força motriz: as exportações para o mundo “rico”. Se a China exporta menos, produz menos e, consequentemente, demanda menos o que não tem, como ferro, soja, entre outras commodities.
Os últimos dados vindos de lá, divulgados nesta sexta-feira, também foram uma surpresa para os mercados porque vieram mais fracos do que esperavam. O índice de atividade industrial está no limite de baixa, prenunciando que a economia chinesa pode não conseguir crescer 8% em 2012, o que jogaria um balde de gelo na economia mundial.
No Brasil, o setor que mais sofreu neste primeiro trimestre, foi exatamente o da agropecuária, com queda de 7,3%. Os nossos dados de exportações também não são nada animadores. Temos vendido menos, tanto porque os preços das commodities caíram no mercado internacional, como também pela quantidade de produtos exportados, que está menor.
A segunda revelação do resultado divulgado pelo IBGE é de que todas as medidas que o governo adotou até agora para tentar estimular a economia ainda não foram suficientes. O nosso “levantador de PIB”, o ministro da Fazenda Guido Mantega, é persistente ao afirmar que a “caixa de ferramentas” do governo ainda está cheia.
O melhor mesmo seria ter mais dinheiro em caixa para gastar. Mas as contas estão apertadas e, para fazer isso, o governo teria que reduzir a economia que se comprometeu a fazer para pagar os juros da dívida pública, o chamado superávit primário. Há economistas defendendo essa hipótese como instrumento “anticíclico”, desde que o governo seja parcimonioso. Contas públicas e credibilidade estão mais unidas do que nunca nos dias de hoje.
Quem tem dinheiro no cofre é o BNDES, nosso banco de desenvolvimento, mas não recebe cliente. A taxa de investimento caiu nesse início de ano, -1,8% segundo o IBGE. Um desempenho muito ruim para quem precisa crescer mais. A indústria, potencial cliente do BNDES, não cresce e por isso não quer se endividar para investir.
O Banco Central está fazendo sua parte, pelo menos para ajudar o PIB. O Copom baixou os juros para 8,5% deixando a porta bem aberta para mais reduções. No mercado de juros, que negocia taxas num futuro que vai de poucos meses a um ou dois anos, já tem investidor apostando em juros de 7,50% e “olhe lá”! Se a coisa não melhorar, ou piorar, pode ser até menos.
Cálculos e mais cálculos serão feitos agora para saber de onde tirar e para onde mandar os maiores esforços para “levantar” a nossa economia. Como dizia o sucesso da cantora Katia, nos anos 80, “não está sendo fácil, não está sendo fácil”.
