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Especial para o Terra
Brasil e Argentina restringem importação de produtos
Foto: Everystockphoto
As relações comerciais estão estremecidas no cone sul da América Latina. As medidas protecionistas impostas pela Argentina, principalmente à importação de carne suína e produtos manufaturados brasileiros, provocaram a discórdia. Já o Brasil, em resposta, burocratiza a comercialização do vinho, da maçã, da cebola e da farinha de trigo argentinos. Essa política pode gerar aumento de inflação e desequilibrar a balança comercial dos dois países.
Segundo Roberto Simonard, professor de economia da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-RJ), essa rixa econômica é antiga. Ela teve início em 1999, no começo do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, quando o câmbio brasileiro deixou de ser fixo para tornar-se flutuante, como é até hoje. “Com o câmbio flutuante, o saldo de exportações de produtos brasileiros para a Argentina tornou-se favorável ao nosso país e ruim aos argentinos. Para tentar criar barreiras para impedir a balança comercial desfavorável, a Argentina restringe a importação de produtos brasileiros”, diz o professor.
Quem perde com isso são os consumidores dos dois países líderes do Mercosul. Isso porque há o encarecimento e até a falta de produtos importados disponíveis no mercado. Para se desvencilhar da crise, o consumidor pode deixar de consumir o produto ou substituí-lo por outro. Entretanto, as políticas protecionistas de ação imediata da Argentina, em longo prazo, geram piora na economia. “É um efeito bola de neve: com a redução das importações, o custo de produção interno aumenta, inviabilizando a exportação dos produtos, ou seja, o objetivo argentino de aumentar as reservas internacionais não é atingido”, explica Jobson Souza, professor de economia internacional da FECAP.
Inflação
Se a prática de retaliações não for interrompida em breve, outro efeito esperado é o aumento da pressão inflacionária dentro dos países. “Quando os preços aumentam internamente, há o aumento também da inflação do país”, afirma Souza. Para o governo argentino essa consequência iria contra os planos de aceleração do crescimento desejados para o país, uma vez que os índices de inflação já são altos por lá. “Se a integração entre as duas economias for prejudicada, quem tem mais a perder é a economia menor, que, agora, é a da Argentina”, acrescenta Simonard.
Tentativa de conciliação
Para tentar encerrar a crise, representantes dos dois países se reunirão no próximo dia seis de junho, na Argentina. Simonard e Souza concordam que a melhor saída para a economia de ambos é mesmo tentar um acordo. “Ao invés de retaliar os produtos do outro país, o que deve ser feito é uma negociação entre eles. Como o Brasil se encontra em uma situação econômica diferente da argentina, ele poderia ajudá-la”, completa Souza.

