Jamil Chade
O Estado de S. Paulo
Levantamento publicado nesta quarta-feira por Bruxelas revela que, desde 2008, o Brasil foi o quarto país a adotar o maior número de medidas protecionistas no mundo
GENEBRA - A União Europeia acusa o Brasil de "subsidiar" a indústria nacional e usar a crise econômica mundial como justificativa para elevar barreiras e implementar uma nova política industrial.
Um levantamento publicado nesta quarta por Bruxelas revela que, desde 2008, o Brasil foi o quarto país a adotar o maior número de medidas protecionistas no mundo. Muitas, segundo Bruxelas, não teriam relação com a crise e, apesar das promessas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou de Dilma Rousseff, nenhuma das medidas protecionistas ditas temporárias foi retirada.
A UE pede que o Brasil e outros emergentes uma "atitude responsável" para ajudar na recuperação da economia mundial, mantendo seus mercados abertos.
O levantamento da UE foi feito às vésperas da reunião do G-20, na semana que vem no México, e serve para alertar que países emergentes não cumpriram suas promessas de resistir às medidas protecionistas. Na verdade, seguiram um caminho inverso. China, Rússia, Índia, Brasil, África do Sul, Coreia do Sul e Indonésia lançaram pacotes bilionários para ajudar suas próprias indústrias.
Segundo Bruxelas, o número de barreiras tem aumentado de forma acelerada nesse período e alerta que, apesar de a crise atingir de forma mais dura os países ricos, são os emergentes que têm aumentado as barreiras ao comércio e dado privilégios às indústrias nacionais. Nos últimos oito meses, 20% de todas as medidas no mundo se referiram a pacotes de incentivo industrial em mercados emergentes.
O ataque da UE não ocorre por acaso. Tanto Bruxelas quanto Washington estão em uma campanha para convencer países em desenvolvimento a manter seus mercados abertos. Com a estagnação de suas economias, os europeus sabem que a recuperação depende das exportações. Mas, para isso, precisam garantir que os países emergentes mantenham suas taxas de importação sob controle. "O comércio será uma fonte vital de crescimento para a Europa", indica o relatório.
Subsídios.
O alerta europeu vem acompanhado por uma denúncia. Desde o início da crise, em 2008, a Europa contabilizou 534 medidas protecionistas pelo mundo. A Argentina liderou com 119 medidas, entre elas a nacionalização da Repsol, seguida pela Indonésia e Rússia. O Brasil na quarta posição, adotou 38 medidas. Dessas, seis foram pacotes de estímulos à indústria brasileira.