Valor
As empresas estatais, excluindo a Petrobras e suas subsidiárias, tiveram um baixo desempenho na execução de investimentos autorizados pelo governo. Até o fim de junho, consumiram apenas 19,7% do orçamento previsto para 2012, embora o desembolso de R$ 4 bilhões tenha sido recorde para um semestre.
A lentidão nos gastos afeta estatais de áreas estratégicas para a infraestrutura e prestação de serviços, como Infraero, Correios, Dataprev, Eletronuclear, Telebrás e seis companhias Docas. Em todas, os desembolsos ficaram abaixo de 20% do orçamento autorizado, colocando em xeque a capacidade dessas empresas de investir todo o dinheiro disponível em 2012.
Estatais retêm investimentos liberados
A dificuldade em gastar esbarra em velhos problemas da máquina pública, como a demora nos processos de licitação. Um exemplo é o da Eletronuclear, que tem R$ 2,6 bilhões para investir e aplicou 8,4% no período. O cronograma da construção de Angra 3, projeto de cerca de R$ 10 bilhões, foi modificado, atrasando em sete meses a previsão de início das operações comerciais, para julho de 2016. A causa foi a demora em concluir a licitação para serviços de montagem eletromecânica, a principal concorrência em andamento, que foi objeto de recursos e pedidos de impugnação por empresas que participaram da disputa.
A situação da Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) também preocupa. De olho na Copa do Mundo de 2014 e na Olimpíada de 2016, ela ganhou um orçamento de R$ 377 milhões para investir neste ano, mas é campeã em baixo desempenho: executou só 0,3% disso no primeiro semestre. Os dois principais projetos da estatal enfrentam restrições judiciais. A implantação de um píer em Y - o que permitiria a atracação de seis navios de passageiros ao mesmo tempo - e o reforço estrutural do Cais da Gamboa estão com as licitações paradas.
O governo diz que, apesar dos obstáculos, há um nítido avanço no ritmo de investimentos das estatais. Em 2010, a execução foi de R$ 3,143 bilhões nos seis primeiros meses do ano e de R$ 3,492 bilhões no mesmo período de 2011. O orçamento das estatais, exclusive Petrobras, é de R$ 20,2 bilhões em 2012. A meta oficial é acelerar os investimentos das estatais no segundo semestre e levar o nível de execução do orçamento para 80% a 85% até o fim do ano.