sexta-feira, setembro 07, 2012

Após medida da Anatel, até um terço dos orelhões não funcionam


Danielle Nogueira, Efrém Ribeiro, Hieros Vasconcelos Rego e Carol Aquino
O Globo

Foram testados telefones públicos em Belford Roxo, no Rio, Teresina e Salvador

MARCELO PIU/AGÊNCIA O GLOBO
ANATEL proíbe a OI de cobrar ligações em orelhões em 2020 munícipios. 
Na foto, Fabrício Silva tenta ligar em Belford Roxo

RIO, TERESINA e SALVADOR - As ligações são gratuitas, mas o difícil é achar orelhão que funcione. Repórteres do GLOBO percorreram três cidades nas quais, por determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Oi deve liberar os orelhões para ligações locais sem cobrança. E encontraram antigos problemas, como telefones mudos e depredados. Nas ruas de Belford Roxo (RJ), Teresina e Salvador, foram testados mais de 170 aparelhos. Em Belford Roxo, quase um terço dos 32 orelhões testados estava quebrado. Na capital baiana, 53 dos 129 aparelhos testados não funcionavam. A pior situação foi em Teresina, onde não foi possível ligar de graça de nenhum dos dez orelhões testados, embora todos estivessem operando.A determinação para liberar a cobrança das chamadas locais abrange 2.020 municípios atendidos pela Oi e foi uma punição aplicada pela Anatel por descumprimento das metas do Plano de Revitalização da Telefonia de Uso Público e por descumprimento do número mínimo de orelhões. A decisão é válida até 31 de outubro, para as cidades que se enquadram na primeira situação, e até 31 de dezembro, nos municípios que carecem de orelhões.

Em Teresina, chamadas não completam
No Estado do Rio, o único município agraciado com a gratuidade foi Belford Roxo, devido à má conservação dos telefones. O GLOBO esteve no Centro e nos bairros de Heliópolis e das Graças. Dez dos 32 orelhões testados estavam quebrados. A situação mais crítica foi na Praça Getulio Vargas, no Centro: cinco de 11 telefones não funcionavam. Na Avenida Heliópolis, um orelhão na altura do número 608 só tinha a estrutura. O aparelho, segundo moradores, foi removido esta semana para conserto.

— Quando cheguei aqui no início da semana o aparelho tinha sumido. Mas também não faz falta, porque estava sempre quebrado — disse Fabrício Silva, dono de uma loja de suplementos alimentares próxima ao orelhão e que prefere usar o celular para se comunicar.

Nos 22 orelhões que estavam funcionando foi possível fazer a chamada local gratuita. Mas quase não se via gente nos telefones, pois os moradores desconheciam a decisão da Anatel.

Em Salvador, os problemas apresentados nos 53 dos 129 orelhões testados iam da falta de fone de ouvido a fios arrancados. Os repórteres estiveram na rodoviária, no Fórum Ruy Barbosa, na Praça da Piedade, entre outras localidades. A pior situação foi a da Praça da Piedade, onde dez dos 12 orelhões testados não funcionavam. Segundo a Anatel, dos mais de 11 mil telefones públicos da capital baiana, pelo menos até esta semana, 712 estavam em manutenção.

Em Teresina, o GLOBO testou dez orelhões em nove bairros e no Centro , entre eles aparelhos localizados no aeroporto e no Troca-Troca (ponto turísticoo). Em seis deles, o interlocutor atendia o telefone, mas a chamada era cortada imediatamente após ele dizer “alô”. Nos quatro restantes as ligações sequer foram completadas.

A Oi informou que “está fazendo a checagem na rede de orelhões e, caso sejam constatadas eventuais falhas que resultem em cobrança indevida, estes desvios serão corrigidos e a gratuidade, nestes casos, será estendida após o término do prazo previsto”. Informou ainda que a partir do próximo dia 9 publicará anúncios sobre a gratuidade das ligações nos principais jornais dos 2.022 municípios. A Oi comunicou ainda que a companhia segue o cronograma de revitalização de sua planta de telefones públicos (orelhões). Em Salvador, o percentual da planta ativa, que era de 76% em julho, alcançou 93% no início de setembro. Em Belford Roxo (RJ), esse percentual sobe de 90,03% para 94,65%. Em Teresina (PI), de 91,38% para 95,59%.

A companhia acrescenta que, conforme compromisso com a Anatel, cerca de 252.000 aparelhos serão trocados no período 2012/2013. A companhia acrescentou, contudo, que, nos oito primeiros meses de 2012, em média mais de 13.500 dos 76.600 telefones públicos do Estado do Rio foram danificados por mês em atos de vandalismo. Na Bahia, essa média, no mesmo período, foi de mais de 2.000 do total de 63.000 orelhões. No Piauí, foram 900 dos 18.000 orelhões do estado.