Políbio Braga
Há muitos anos a Agas, que representa os supermercados do RS (o Estado tem o maior número de habitantes/supermercados do País) opõe restrições aos resultados anunciados pelo Dieese para os preços da cesta básica.
Na quarta-feira, o Dieese revelou que Porto Alegre foi a campeã do País. Acontece que os economistas da Agas debruçaram-se sobre os preços dos 13 itens que compõem a cesta básica e constataram que Porto Alegre não é a campeã, mas ocupa a sétima posição.
É uma denúncia muito séria. O que há ? É que o Dieese compara o mesmo produto com quantidades e tipos diferentes. É como comparar banana com laranja.
O editor conversou com Antonio Longo, presidente da Agas, que fez questão de ressaltar a importância do serviço do Dieese, mas reclamou mais uma vez da falta de atenção em relação às colocações que faz há muitos e muitos meses.
As razões do desconforto da entidade também dizem respeito à própria composição da cesta básica, montada há 60 anos:
- Artigos de higiene, como papel higiênico, sabonete e pasta de dentes, não podem continuar de fora da cesta básica, assim como manteiga não pode continuar dentro.
Traduzindo: o primeiro passo é repensar o que realmente compõe o que poder-se-ia chamar de cesta básica. Simples assim. Depois, então, é que vamos calcular a evolução.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Sem desrespeitar a nenhum dos técnicos que elaboram as tabelas e cálculos do DIEESE, mas a verdade, e disto muitos tem viva memória, as informações divulgadas pela entidade sempre foram manipuladas como instrumentos de ação política, ou, mais propriamente, como instrumentos de ataque do PT, quando oposição, contra os governantes de plantão.
O diabo é que depois de terem assumido o poder federal, os petistas colocaram os cálculos e tabelas do DIEESE de lado. Aparelharam o IPEA com os discípulos e vaquinhas de presépio, devidamente enxovalhados com sua doutrina de manual marxista, e a partir daí passaram a manipular dados e informações técnicas para indicar sua “boa governança”.
Uma das vigarices de maior sucesso da turma foi a mentira mundial sobre a tal “classe média de 40 milhões” saídas da pobreza. E o pior: como “castigo”pela pretensa mudança de patamar social, mas sem acrescentar um centavo de renda a mais em seus orçamentos, a tal “nova classe média” viu a tabela do imposto de renda aplicar o maior confisco de salários na história do Brasil: a faixa de isenção que ia até 5 salários mínimos quando Lula assumiu, hoje mal chega a 2,86 salários mínimos. E eles chamam isto de “governo social”! Acredita na mentira quem quer!
De qualquer forma, passa da hora do DIEESE mudar os critérios de cálculo da cesta básica. Em 60 anos, as mudanças de hábitos de consumo do povo brasileiro foram imensas, razão porque atualizar os critérios se impõe como necessário para que as avaliações e aferições sejam próximas o mais possível da realidade.