Josias de Souza
Como fazem todos os presidentes no 7 de Setembro, Dilma Rousseff levou o rosto à televisão. Na noite da véspera do feriado da pátria, pronunciou em rede nacional um discurso de timbre reeleitoral. Falou da crise econômica como página virada. E anunciou para 2013 um refresco ao telespectador: redução na conta de luz –16,2% nas residências e 28% nas indústrias.
Dilma vendeu o país como uma jabuticaba benfazeja. “Ao contrário de outros países, o Brasil criou, nos últimos anos, um modelo de desenvolvimento inédito, baseado no crescimento com estabilidade, no equilíbrio fiscal e na distribuição de renda.” Graças a esse modelo, disse ela, “nem mesmo a maior crise financeira da história conseguiu nos abalar fortemente.”
O PIB de 2012 crescerá menos de 2%. Muito abaixo dos 4,5% que o governo estimara. Como não pode passar uma borracha sobre a realidade, Dilma fez uma concessão ao óbvio: “Tivemos uma redução temporária no índice de crescimento.” E virou a página rapidamente: “Mas já temos as condições objetivas, agora, para iniciar este novo e decisivo salto, cujos primeiros efeitos já serão percebidos no próximo ano e que vão se ampliar fortemente nos anos seguintes.”
Adversários potenciais de Dilma, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) sabem que só terão chance de desbancá-la se a crise mastigar os empregos e o engolir o prestígio da presidente. Daí a tentativa de Dilma de encerrar 2012 com três meses de antecedência, levando ao para-brisa um 2013 triunfante. Agora, só falta transformar o gogó em realidade.