sexta-feira, setembro 07, 2012

Cristovam Buarque diz que Dilma é boa gerente, mas má estadista


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Agência Senado  

Senador do PDT observou que "o gerente se concentra nos problemas de hoje; o estadista resolve os problemas de hoje, olhando para o amanhã"; é o que ocorre, segundo ele, com as medidas econômicas da presidente.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado 

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou que a presidente Dilma Rousseff "vai bem como gerente, mas vai mal como estadista". O parlamentar observou que "o gerente se concentra nos problemas de hoje; o estadista resolve os problemas de hoje, olhando para o amanhã".

Falando como líder de seu partido nesta quarta-feira (5), o senador opinou que as medidas econômicas tomadas pela presidente são corretas do ponto de vista imediato, mas "insuficientes e incorretas" do ponto de vista do futuro de um país.

Cristovam lembrou que a presidente preferiu reduzir a tributação dos automóveis em vez de reorientar a indústria automobilística para a fabricação de outros produtos. De acordo com o senador, o aumento puro e simples da produção de automóveis "não é compatível a médio e longo prazo com o futuro".

O senador assinalou que o Brasil optou por fazer a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos.

- Mas qual o retrato que queremos do Brasil: um país que faz olimpíadas ou um país que faz medalhas? – afirmou o parlamentar, assinalando que um gerente se encarrega de fazer as obras necessárias para a realização dos eventos; já o estadista precisa cuidar para ter uma juventude com alto rendimento esportivo.

Outra pergunta do parlamentar – que foi aparteado pelo colega Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) – foi se a sociedade brasileira quer mais cadeias para colocar os bandidos ou um país em que não haja mais crimes.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A definição do senador Cristovam está corretíssima, mas incompleta: além da questão temporal, o verdadeiro estadista governa segundo os interesses do país, e não de acordo com os do Partido, mesmo que eles contrariem os do país governado. No caso de Dilma, sua ótica mira apenas na distensão exata do que pode prejudicar ou não os interesses eleitorais do PT, não encaminhando medidas que beneficiariam o Brasil para não comprometer o capital político do seu partido. E, antes dela, e com muito maior intensidade, Lula cumpriu seus dois mandatos seguindo apenas a agenda partidária, mesmo que ela contrariasse a do país, como ocorreu inúmeras vezes. 

Quanto a ser “boa gerente”, tenho lá minhas dúvidas: a situação vexatória do tal PAC, que lhe competia “gerenciar” no governo passado é bem um exemplo desta pouca eficiência.  Ou o que dizer do apagão aéreo cujas consequências danosas o país sofre até hoje? No documento em que rebateu as críticas de FHC não a ela, mas ao governo Lula, a senhora Dilma teve coragem em criticar o apagão de 2001. Deveria, antes, fazer um balanço bem fundamentado das razões daquele apagão, como também deveria rever os apagões de Brasília, Norte-Nordeste, e que impede a implantação de novas fábricas pela baixa capacidade instalada de geração de energia. 

Assim, nem Dilma é tão competente como se difunde na propaganda enganosa, nem tampouco conseguirá um dia ser estadista. A exemplo de Lula, eles governam o Brasil para o benefício do partido e da companheirada, e não dos brasileiros. As grandes conquistas atingidas nos últimos anos foram obtidas “apesar” deles, e não por conta deles.