Renée Pereira
O Estado de São Paulo
Dados da Aneel mostram que 32 dos 71 parques eólicos leiloados em 2009 estão parados por causa da falta de linhas de transmissão
SÃO PAULO - Quase metade das usinas licitadas no primeiro leilão de energia eólica do Brasil está pronta sem poder gerar um único megawatt (MW) de eletricidade. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que 32 dos 71 parques eólicos leiloados em 2009 estão parados por causa da falta de linhas de transmissão. "Houve um descasamento entre a entrega das usinas e do sistema de transmissão", afirmou o diretor da agência reguladora, Romeu Rufino.
A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), estatal do Grupo Eletrobrás, venceu o leilão das linhas de transmissão, mas não concluiu nenhum projeto - em alguns casos, nem iniciou as obras. Pelas regras do contrato, o sistema de transmissão teria de ser concluído na mesma data dos parques eólicos para permitir o início dos testes. Mas, na melhor das hipóteses, a conexão com as usinas apenas se dará em julho do ano que vem.
Consequentemente, as obras do sistema de transmissão dos parques licitados em 2010 também ficarão comprometidas. No mercado, algumas empresas foram informadas de que os cronogramas de empreendimentos marcados para setembro de 2013 foram estendidos para janeiro de 2015.
Rufino afirmou que a Aneel tem discutido constantemente com a estatal para tentar resolver o problema e diminuir os impactos para o consumidor.
Segundo ele, não está descartada a possibilidade de fazer uma instalação provisória enquanto a definitiva não é concluída. Apesar de não poderem produzir energia, as geradoras terão direito de receber a receita fixa prevista nos contratos de concessão. Pelos cálculos da Aneel, as 32 usinas têm receitas de R$ 370 milhões a receber.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A notícia seria escandalosa em qualquer país sério do planeta, menos aqui. É a cara do Brasil.
Vejam só: praticamente metade das geradoras está pronta mas não pode fornecer um único megawat de eletricidade por “falta de linhas de transmissão”. Ou seja, no planejamento (se é que havia algum), alguém esqueceu do essencial.
Ora, qualquer programa exige metas, ações e recursos, além, é claro, da aferição dos resultados para avaliar se o programa atingiu os objetivos a que se propôs.
Ora, um programa da envergadura deste, não é visto e analisado por apenas uma única pessoa. E, como se vê, ninguém se deu conta que a geração de energia só se complementa a partir da existência de linhas de transmissão capazes de conduzir a energia produzida até o consumidor. Ou seja, erro de planejamento.
Mas vamos imaginar que tudo tenha sido previsto. Faltou o quê para que o programa se realizasse conforme o previsto? Recursos? Até poderia ser, já que por aqui nestas bandas sul americanas lançam-se programas a granel que, depois, são postos de lado, por falta de recursos (ou de sua liberação) para atender as ações previstas. E, como é comum acontecer, cronogramas são espichados pela ruindade na execução destes programas.
Mas há outro aspecto a ser ressaltado: apesar de estarem gerando eletricidade, as geradoras tem a receber uma verdadeira fortuna de quase R$ 400 milhões. É bem a nossa cara. Sem dúvida, em matéria de gestão pública, o Brasil vai muito mal, obrigado.
Depois, ainda querem jogar a culpa para governantes de 10 anos atrás. Além de irresponsáveis, são de uma leviandade assustadora!!!
