Mariana Carneiro, Em Vilamoura (Portugal) (*)
Folha de São Paulo
O ex-ministro do Desenvolvimento e Comércio Exterior Luiz Fernando Furlan, presidente do conselho de administração da BR Foods, disse que o aumento de tarifas de importação feito pelo governo é um paliativo para proteger produtores domésticos e não deve ser tratado como solução de longo prazo. "Funcionam como aspirina", disse.
"Como paliativo é aceitável [aumentar as tarifas de importação]. Mas como política de longo prazo é equivocada", afirmou. "A solução para a competitividade brasileira não é aumentar a altura do muro, mas baixar as ineficiências que temos."
O ministro do governo Lula disse que as medidas anunciadas para melhorar a infraestrutura e a redução de encargos sobre investimentos são medidas estruturais, que devem melhorar a competitividade brasileira. Mas também é necessário avançar na capacitação de pessoas, aumentando a produtividade da mão de obra.
"Tudo isso resolvido, a indústria brasileira será mais competitiva", disse Furlan.
O empresário participou do 1º Fórum Empresarial do Algarve, organizado pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais).
Furlan, entretanto, criticou o questionamento dos EUA ao Brasil. A diplomacia americana enviou carta ao Itamaraty demonstrando preocupação com o que considerou protecionismo e sinal de retrocesso do Brasil nos acordos internacionais de comércio.
"O comentário foi inoportuno e exagerado. O país que levantou o assunto é muito mais protecionista do que o Brasil. E inclusive descumpriu acordos homologados na OMC [Organização Mundial do Comércio]", disse, referindo-se ao contencioso aberto pelo Brasil contra subsídios aos produtores de algodão americanos. "O assunto com o algodão até hoje não foi digerido", afirmou Furlan.
O empresário, acionista da BR Foods, uma das maiores produtoras de carnes do mundo, afirmou que o mercado americano é fechado ao produto brasileiro. "Não podemos acessar o mercado americano de carne de frango e de porco, por exemplo. E não há uma justificativa plausível."
(*) A repórter Mariana Carneiro viajou a convite do Lide (Grupo de Líderes Empresariais)