sábado, outubro 20, 2012

Falta de gasolina no RS deve ser resolvida na 2ª feira


Veja online
Com Agência Estado

Mal tempo da última semana impediu navios de abastecerem refinaria com petróleo, o que resultou em queda de produção

 (Liane Neves) 
Refinaria reduziu produção ante o desabastecimento de petróleo

O problema da escassez de gasolina em postos do Rio Grande do Sul deve estar resolvido até a próxima segunda-feira, garante o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes (Sulpetro), Adão Oliveira. Ele calcula que 38 postos de Porto Alegre não têm combustível para venda. A capital tem 276 postos, enquanto no estado são 3 131, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Oliveira contou que um navio já descarregou petróleo no duto que leva a matéria-prima até a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas (RS), e outro está reabastecendo a Refap nesta sexta-feira. Por isso, ele estima que na próxima semana a gasolina estará nas distribuidoras.

A Refap informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que a situação estará normalizada na próxima semana, sem especificar o dia.

Falta de combustível — 
A refinaria gaúcha diminuiu significativamente a produção de combustíveis na última semana porque os navios que levam petróleo ao estado foram impedidos de se conectar aos dutos devido às condições climáticas adversas em Tramandaí, no litoral do estado. A fila de espera para atracar teria chegado a seis navios e os estoques de reserva, em Osório (RS), também teriam acabado, como consequência da dificuldade de reabastecimento. Não há relatos de falta de outros derivados de petróleo até o momento.

A Refap, que faz parte do Sistema Petrobras, tem capacidade de 30 mil metros cúbicos de petróleo por dia e produz, além de gasolina, nafta e outros derivados para o Polo Petroquímico de Triunfo, além de querosene de aviação, diesel e solventes.

A impossibilidade de descarga de petróleo, por causa das condições adversas do mar é frequente, mas, pela primeira vez, foi percebida pelo consumidor porque houve aumento expressivo no consumo de gasolina nos últimos anos. A refinaria, que chegou a exportar gasolina por não ter tanques em número suficiente para armazenar sua produção, hoje opera no limite para atender o mercado local.

A Refap é responsável por garantir 80% do combustível consumido no estado. No acumulado do ano, até agosto, a refinaria produziu 1,297 milhão de metros cúbicos do combustível, 9,1% a mais do que no mesmo período do ano passado, de acordo com dados da ANP.

Investigação – 
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento administrativo para apurar os motivos do desabastecimento. Durante esta semana, muitos dos 3 131 postos do estado receberam somente 40% do volume que as distribuidoras costumavam entregar, diariamente, de acordo com cálculo Sulpetro. 

O MPF deu prazo de cinco dias, a contar desta sexta-feira, para que todos os envolvidos na cadeia do abastecimento, expliquem o que aconteceu e informem os procedimentos tomados para a solução do problema. "Se realmente o fator climático é decisivo, é necessário um plano de contingência", afirma o procurador da República Nilo Marcelo de Almeida Camargo.

Como situações de vento forte a ondas altas são comuns na costa gaúcha e não haviam provocado desabastecimento em ocorrências anteriores, as justificativas emitidas até agora foram consideradas contraditórias pelo MPF, que também está preocupado com um possível aumento de preços ao consumidor provocado tanto pela escassez quanto pelo custo de transportar os combustíveis de outras regiões para o Sul.

Governo de olho – 
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informaram nesta sexta-feira que monitoram os casos de escassez de combustíveis em alguns estados do país. Além do Rio Grande do Sul, há registro de problemas também no Amapá.

De acordo com nota da ANP, a dificuldade de abastecimento no Amapá acontece no suprimento de biodiesel e etanol anidro que são usados na mistura do diesel e da gasolina. "Com o aumento da demanda nacional de combustíveis, há dificuldades para a contratação de caminhões para realizar a operação de transferência de biocombustíveis das unidades produtoras para a base de Belém, que atende o estado", informou a ANP.

Procurada pela reportagem, a BR distribuidora informou esperar que a comercialização dos combustíveis no Amapá seja normalizada até o começo da próxima semana. Uma balsa com 1,5 milhão de litros de gasolina e diesel já teria desembarcado em Macapá nesta quinta-feira, e outras duas embarcações – uma da própria BR e outra da Ipiranga – devem aportar no local neste fim de semana.