sábado, outubro 20, 2012

Materiais e refino somam 50% do corte de gastos da Petrobras


Bruno Rosa
O Globo

Mercado não está confiante com programa de redução de despesas

RIO – Metade da redução dos gastos que a Petrobras pretende fazer a partir do próximo ano virá da área de refino e da compra de materiais e serviços. O Programa de Otimização de Custos Operacionais (Procop) prevê 28 “oportunidades” com potencial de redução de despesas, que pode variar de R$ 5 bilhões a R$ 15 bilhões já em 2013, dependendo das metas que forem traçadas até dezembro. A ação foi criada pela presidente da estatal, Maria das Graças Foster.

Das 28 oportunidades levantadas pela estatal, sete estão ligadas a refino e logística de seus derivados e outras sete ao processo envolvendo compra de bens e serviços. Na produção de petróleo e gás natural, são cinco, assim como em ações voltadas ao grupo “gás e energia”. Os quatro restantes estão ligadas a área de suporte.

O objetivo é gerar caixa para compensar as perdas que a estatal vem registrando com a falta de reajuste de combustíveis no país. Segundo cálculos de Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a Petrobras acumula prejuízo de R$ 12,8 bilhões entre janeiro e agosto deste ano com a diferença entre a cotação do barril no mercado internacional e a gasolina e o óleo diesel vendidos no país.

— O projeto de redução de custo será muito difícil de se efetivar, pois, por ser estatal, não há essa cultura entre os funcionários. Por isso, com essa dificuldade, Graça pode conseguir cacife político para convencer o governo de reajustar os combustíveis, uma vez que está mostrando seu esforço — disse Pires.

Luiz Otávio Broad, analista da Corretora Ágora, também não está confiante com o sucesso do programa:

— Nos últimos anos, a Petrobras só registrou alta nos gestos e despesas. É preciso ver a concretização disso.

Além do programa de corte de custos, a Petrobras — que deve ter um lucro líquido de R$ 8 bilhões no terceiro trimestre deste ano contra um prejuízo de R$ 1,3 bilhão no segundo trimestre — também vem tentando vender ativos no exterior. A meta é, até 2016, arrecadar US$ 14,8 bilhões com a venda de unidades de produção e refinarias no exterior.

Nesta sexta-feira, com o mau humor no mercado internacional, as ações mais líquidas da Petrobras encerram em queda de 1,16% na Bolsa de Valores.