José Márcio Mendonça e Francisco Petros.
Blog Política & Economia na Real
"O ativismo do governo Dilma, cujo último exemplo foi a forma como se está impondo as mudanças no setor elétrico, preocupa -- e muito"
A expressão acima já faz parte das conversas dos grandes empresários e é talvez a melhor explicação para a cautela com que eles estão programando seus investimentos.
O ativismo do governo Dilma, cujo último exemplo apontado por eles foi a forma como se está impondo as mudanças no setor elétrico, preocupa – e muito. Mas ninguém aqui dentro por razões que a própria razão conhece de sobra, solta a voz para criticar abertamente as ações presidenciais de intervenção quase sempre indireta, disfarçada, na atividade econômica privada.
Mas o que aqui são apenas sussurros já virou burburinho em outras plagas. É o que verbalizou em entrevista à Folha de S.Paulo Mark Mobius, presidente do fundo Templeton, que tem investimentos de 5 bilhões de dólares no Brasil: “É extremamente preocupante a maneira como o governo vem intervindo em empresas de capital aberto como a Vale e a Petrobras.
“Elas estão sendo usadas cada vez mais para prestar serviços públicos, o que não é a função delas e prejudica a boa governança corporativa dessas companhias. A intervenção do governo nos bancos também é muito preocupante – o governo pressionar as instituições financeiras para que reduzam os juros cobrados de clientes é uma atitude que vai contra as leis do livre mercado.
“Há maneiras mais eficientes de fazer isso, aumentando a concorrência. Em parte, o governo fez isso com os bancos públicos, mas não é prudente forçar as instituições financeiras a fazer alguma coisa. Se essa tendência se mantiver, poderá acarretar grandes problemas à economia”.
Não é um bom conceito para quem está com um pacote de concessões na praça e precisa de atrair investidores quase desesperadamente.
