sexta-feira, outubro 12, 2012

Mercadante diz que Lei de Cotas vai contribuir para melhorar ensino público


Mariana Tokarnia
Agência Brasil

Brasília - A Lei de Cotas contribuirá para a melhoria do ensino das escolas públicas, segundo avaliou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ao participar na manhã de hoje (10) da abertura do seminário Qualidade do Ensino Médio, promovido pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

De acordo com o ministro, com uma maior possibilidade de ingresso na universidade, os estudantes e professores se empenharão mais para melhorar a qualidade do ensino. No entanto, Mercadante lembrou que as universidades terão que se esforçar para garantir o pleno acompanhamento desses estudantes.

O ministro defendeu a participação das universidades federais na elevação da qualidade do ensino médio do país. Para ele, a boa formação universitária do professor garante um melhor rendimento dentro da sala de aula. “A universidade agora terá que se dedicar mais à formação dos professores da rede pública. É um motivo a mais para trabalharmos juntos nesse processo”.

Mercadante lembrou que, a partir de 2013, os professores de escolas públicas deverão receber tablets com toda a bibliografia da fase escolar, e as escolas deverão ser equipadas com rede de internet sem fio. Haverá ainda novos investimentos em formação inicial e continuada para professores, diretores e gestores.

Apesar das deficiências ainda existentes, é possível se observar uma evolução no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no período de 2005 a 2011, segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Cláudio Costa, que também participou do evento. No ensino médio, o índice evoluiu de 3,4 para 3,7, atingindo a meta estipulada.

De acordo com o dirigente, o salto é ainda maior no ensino fundamental, cujo índice saltou de 3,8 para 5,0 no mesmo período. Para o presidente do Inep, isso pode significar que, no futuro, esses jovens contribuirão para um aumento no índice do ensino médio. “O Brasil está melhorando, estamos avançando e vamos avançar. A pergunta é: a que velocidade queremos isso? Tem que ser rápido”, concluiu.  

A partir do dia 16 deste mês, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), vai discutir medidas de melhorias para o ensino médio, segundo o secretário de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Cesar Callegari. “A partir do momento que os estados indicarem com clareza qual é o seu projeto em relação ao ensino médio, o  MEC oferecerá apoio técnico e financeiro a curto, médio e longo prazos”, explicou.

Edição: Davi Oliveira

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: 
Ou o ministro está bebendo água contaminada, ou está delirando simplesmente. Não existe nenhuma comprovação de que haja razão de causa e efeito entre cotas e melhora de qualidade. O que melhora a qualidade são escolas melhores, currículos decentes, professores bem pagos e com formação superior, além dos meios suficientes nas escolas. Cotas não contribuirá em nada. Até pelo contrário. É mais fácil contribuir para a perda de qualidade do que ao contrário, além de ser inconstitucional.

Aliás, a ressalva feita pelo próprio ministro desmente suas expectativas otimistas,  ao afirmar que "...que as universidades terão que se esforçar para garantir o pleno acompanhamento desses estudantes...". Isto representa dizer que os alunos beneficiados pelas cotas não reúnem méritos nem formação adequada para o ingresso na universidade, que agora precisará criar mecanismos de "recuperação" para que estes alunos possam atender as exigências de um curso superior. E este não é papel de nenhuma universidade. Os alunos que ali ingressam devem trazer na bagagem a formação mínima indispensável, coisa que o regime de cotas, como o próprio Mercadante reconhece, não garante.