sexta-feira, outubro 12, 2012

Redução da Selic pode conter valorização do real, diz Mantega. Não diga?


Ricardo Leopoldo
O Estado de São Paulo

Redução do juro básico contribui para aproximar taxa de níveis internacionais; Ministro da Fazenda afirmou que Brics precisam fortalecer mercado interno para lidar com a crise

TÓQUIO – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a decisão do Banco Central de baixar a Selic de 7,50% para 7,25% colabora para reduzir o diferencial de taxas entre o Brasil e outros países no mundo.

“A redução dos juros nos ajuda a diminuir a arbitragem e a impedir a valorização do real”, destacou, depois de participar de uma reunião dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Tóquio. 

Crise
Mantega também afirmou que os países que formam do Brics estão sendo afetados pela desaceleração da economia mundial, cujo centro ocorre nos países avançados. “Isto reduziu o ritmo de crescimento de todos. Houve uma redução muito forte das trocas comerciais. Em 2012, está havendo um dos menores crescimentos do comércio internacional, que vai avançar menos de 3%”, destacou.

De acordo com Mantega, os Brics vão buscar um entrosamento maior porque vão registrar expansão maior do que as que serão registradas pelas economias desenvolvidas nos próximos anos. “Embora alguns Brics, que estavam crescendo com taxas muito elevadas, terão que se contentar com taxas um pouco menores, como a China e a Índia”, apontou.

No caso do Brasil, o ministro ressaltou que o nível de atividade está em aceleração e voltando a níveis mais favoráveis. “O Brasil teve uma desaceleração da sua economia no primeiro semestre deste ano. Estamos acelerando o crescimento no segundo semestre e voltando aos patamares de crescimento acima de 4%”, afirmou.

Fundo
Mantega apontou que, por causa da redução do ritmo de atividade dos países desenvolvidos e do comércio mundial, os Brics precisarão “estimular o mercado interno”, a fim de depender menos da Europa e dos EUA. “Temos que estabelecer sinergia no nível financeiro. E estamos avançando um programa de pool financeiro entre nós, no sentido de criarmos um fundo que poderá colocar recursos nos países que necessitarem”, destacou.

“Estamos falando de um mecanismo que os asiáticos chamam acordo de Chiang Mai; é um acordo financeiro, no qual os países grandes da região colocam recursos virtuais. Eles só serão usados se houver necessidade e será uma espécie de retaguarda financeira para os países”, disse Mantega. De acordo com o ministro, não há uma data prevista para a entrada em vigor desse fundo.

“Estamos avançando também com o banco de desenvolvimento chamado Sul-Sul. Esse seria o banco dos Brics. Uma comissão está trabalhando com isso. Esse banco será importante para financiar investimentos, como infraestrutura entre os países”, continuou. Segundo Mantega, os países combinaram fazer mais uma reunião no México em novembro.

EUA
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve se encontrar no próximo sábado com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, o que faz parte da sua agenda de eventos oficiais com autoridades de outros países em Tóquio, durante a reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI). Entre os assuntos que Mantega pretende tratar com Geithner, terá foco principal a preocupação do Brasil com a política de afrouxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês) adotada pelo governo norte-americano.

“Estamos preocupados com o excesso de expansão monetária. A política monetária expansionista é correta nos momentos de recessão, mas quando é exagerada ela começa a criar efeitos colaterais, como a desvalorização do dólar, o que traz prejuízos para quem tem reservas em dólar, como o Brasil e a China”, apontou.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É impressionante: Mantega está há tantos anos à frente do Ministério da Fazendo, e só veio descobrir isto agora? 

Dez em cada dez especialistas afirmaram, durante anos, que a apreciação inconsequente do real frente ao dólar, que o governo Lula sustentou durante tanto tempo, só dava em razão justamente dos juros altos praticados pelo país, que atraiam dólares em abundância para cá,  o chamado capital motel, e que sangraram o Tesouro. As exportações de commodities,  consideradas as vilãs do crime durante todo este tempo, foram as únicas fontes de acumulação de reservas cujo montante serve como escudo protetor para o país diante das crises internacionais, além de ser nossa salvaguarda de sustentação da estabilidade econômica que vivemos. Aqui no blog, falamos disto pelo menos desde 2006.

O senhor Mantega é, sem dúvida, uma figuraça: levou seis anos para descobrir o que o país todo já sabia desde o princípio. Só foi se dar conta depois de quase ter acabado com a indústria brasileira, ter acabado com mais de 1 milhão de empregos na indústria e ter forçado dezenas de empresários a irem embora gerar emprego e renda em outros países com melhor ambiente de negócios, sem falar na exportação de manufaturados em cujo mercado internacional fomos alijados por falta de competitividade!!!