sexta-feira, novembro 23, 2012

Eletrobras, cobaia de ajuste fiscal


Fernando Torres  
Valor

Muitos daqueles que criticam a alta carga tributária no Brasil consideram que uma boa maneira de conseguir reduzir gastos é cortar primeiro as receitas. Com uma arrecadação menor de tributos, o setor público se veria então sem alternativas e seria obrigado a ajustar as despesas.

Apesar de fazer sentido na teoria, essa opção costuma ser refutada com base no argumento de que boa parte dos gastos dos diversos níveis de governo já está previamente contratada. São despesas com salários (de funcionários com estabilidade), previdência e remuneração dos juros da dívida. Em caso de redução da arrecadação, portanto, haveria risco razoável de se retirar como resultado apenas um belo aumento do déficit fiscal nominal.

Complicada ou não, essa tarefa terá que ser cumprida pela Eletrobras a partir de 2013. E a mando do governo federal.

As receitas da estatal vão cair praticamente pela metade, e a companhia terá como única alternativa de sobrevivência cortar os gastos de forma drástica.

Furnas e Chesf, duas importantes subsidiárias da estatal, divulgaram projeções indicando a necessidade de reduzir custos e despesas operacionais (com pessoal, material e serviços de terceiros) em cerca de 40% entre 2012 e 2015.

A eficiência terá que vir na marra. Caso contrário, haverá grande prejuízo.

Investidores de bolsa costumam gostar de anúncios de cortes de gastos. Mas desconfiam da capacidade de execução da meta pela Eletrobras. Então só veem mesmo no horizonte as prováveis perdas. 

De qualquer forma, se a medida for bem-sucedida, pode servir de exemplo para o acionista controlador da estatal.