domingo, novembro 18, 2012

Oposição diz que governo precisa ouvir reclamações


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Presidente tentou minimizar gigantesco protesto realizado nesta quinta-feira

 (Leo la Valle / EFE)
Manifestantes carregam bandeira 
pedindo respeito à constituição na Argentina

“Imprensa livre; Justiça independente”. “A Constituição não se reforma, se respeita”. “Fim à corrupção”. Estas foram as principais mensagens da população durante o gigantesco panelaço realizado em várias partes da Argentina – e também por argentinos que moram em outros países.

“Um protesto tão gigantesco expõe o governo a um desafio delicado. Uma resposta ruim pode colocá-lo no caminho de uma crise política”, opinou o jornal argentino La Nación.

A reação da presidente Cristina Kirchner foi tentar minimizar o protesto, enquanto opositores tentaram capitalizar a manifestação.

Ex-governador de Santa Fé e líder da oposicionista Frente Ampla Progressista (FAP), Hermes Binner disse que é preciso “escutar o que as pessoas dizem” e defendeu a busca de consensos.

O deputado dissidente do peronismo Francisco de Narváez avaliou que o protesto foi uma mensagem para todos os setores políticos e acrescentou que “não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir”.

Para a cada vez mais impopular Cristina Kirchner, restou tentar minimizar o protesto, ao dizer: “Ontem aconteceu algo muito importante, o congresso do Partido Comunista chinês”. Ela também criticou o que considera um “formidável aparato cultural para que os argentinos tenham uma ideia distorcida de seu próprio país”.

A presidente disse que não vai mudar seus ideais e ressaltou que “o verdadeiro problema é a falta de uma liderança política que represente um modelo alternativo”. "Disso não podemos nos encarregar. Nós acreditamos no nosso (modelo). Que se encarreguem os que não acreditam no nosso em fazer o seu”.

Protesto - 
Cerca de 700.000 pessoas, segundo cálculo do governo provincial de Buenos Aires, lotaram as ruas centrais da capital argentina na noite desta quinta-feira para protestar contra o governo Cristina Kirchner no mesmo espírito do protesto realizado em 13 de setembro, último grande "panelaço" contra as políticas do governo argentino. 

A manifestação foi apelidada de 8N, uma referência ao dia 8 de novembro – e uma ironia ao 7D, sigla escolhida pela presidente para se referir a 7 de dezembro, data que ela impôs para que as empresas de comunicação se adaptassem à nova legislação do setor que, entre outras coisas, proíbe que empresas privadas de comunicação mantenham mais de uma emissora de TV aberta em uma mesma localidade.

A lista de insatisfações dos argentinos é longa; abrange desde as limitações para comprar dólar até a falta de segurança. À lista somou-se, na véspera do panelaço, um apagão que provocou caos nas principais avenidas de Buenos Aires e prejudicou os moradores no horário de maior movimento na volta para casa.