domingo, novembro 18, 2012

Reformas da Vila do Pan custarão oito vezes mais


Luiz Ernesto Magalhães
O Globo

Prefeitura gastará R$ 33 milhões para recuperar ruas que afundaram; orçamento inicial era de R$ 4,1 milhões

PEDRO KIRILOS / O GLOBO
No buraco. Trecho em que o asfalto afundou na Vila Pan-Americana: 
objetivo da obra é tentar estabilizar o terreno

RIO — A prefeitura planeja gastar quase R$ 33 milhões até o ano que vem para tentar acabar de vez com os constantes afundamentos nas ruas que cercam a Vila Pan-Americana, na Barra da Tijuca. O valor é oito vezes maior do que o estimado inicialmente (R$ 4,1 milhões) para sanar o problema. A decisão foi tomada porque a Geo-Rio, ao iniciar os serviços de recuperação na Vila no fim de 2011, concluiu que seriam necessárias mais obras para estabilizar completamente os terrenos.

Foi marcada para o dia 27 uma nova licitação no valor de R$ 4,8 milhões para dar prosseguimento às obras. Enquanto os operários não retornam, velhos problemas voltaram a aparecer. Alguns trechos recuperados já apresentam rachaduras. Depois de ser recapeado diversas vezes, o acesso à garagem do condomínio Chicago virou uma ladeira. Já o acesso à garagem do condomínio Mar Del Plata afundou, deixando o trecho isolado por tapumes.

O maior volume de obras ficará para 2013. Técnicos da prefeitura se reuniram com os moradores e anunciaram para 2013 uma nova concorrência de R$ 24 milhões.

Prédios estão seguros
Inspeções mostraram que os prédios estão intactos e seguros. E, mesmo com problemas, o condomínio se valorizou. A estimativa dos síndicos é que 80% dos 1.380 apartamentos estejam hoje ocupados. Há dois anos, eram apenas 50%. Os apartamentos de quatro quartos estão sendo oferecidos para revenda por valores entre R$ 500 mil e R$ 600 mil.

Para o design gráfico Ricardo de Oliveira, de 34 anos, a valorização pode ser explicada pela certeza de que os problemas terão que ser sanados. Segundo ele, como o Rio será sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o destino da Vila do Pan pode servir de bom ou mau exemplo para investidores que desejam comprar imóveis na Vila Olímpica que está sendo construída na Avenida Salvador Allende.

— Se não fossem as Olimpíadas, dificilmente os problemas seriam sanados — acredita Flávio Costa, que há três anos mora no condomínio.

Os problemas começaram em 2007, quando o ex-prefeito Cesar Maia rompeu acordo com a Agenco e desistiu de asfaltar a vila. A construtora arcou com a obra, mas as fundações não eram profundas o suficiente, como constatou a Geo-Rio. Em 2011, moradores iniciaram um movimento exigindo que o município honrasse o acordo. Conseguiram do prefeito Eduardo Paes a promessa de recuperação.