domingo, novembro 18, 2012

Pesquisa sobre a classe média revela dado inquietante sobre o apreço à democracia


Ricardo Setti
Veja online

Amigas e amigos do blog, leiam o curto mas revelador post publicado hoje pelo indispensável blog do jornalista Ricardo Noblat. As pessoas que o governo considera de classe média acreditam muito pouco no poder de seu voto e — sou eu quem está dizendo, não Noblat, que se limita a reproduzir dados importantes de uma pesquisa de opinião — não fazem lá muita fé na democracia.

Confiram o post sob o título abaixo:

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A classe média e a democracia 
Ricardo Noblat 


Sob o título “A classe média, o Estado e a Democracia”, a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República recebeu uma pesquisa encomendada ao instituto Data Popular, de São Paulo.

Fechada na semana passada, ela ouviu em 56 cidades duas mil pessoas cuja renda média familiar mensal fica entre R$ 1.540,00 e R$ 2.813,00.

Apenas 67% dos entrevistados disseram concordar com a frase: “O meu voto pode melhorar a política brasileira”.

E 51% concordaram com a frase: “Prefiro uma ditadura competente a uma democracia incompetente”.

A classe média acredita que é função do Estado oferecer Saúde (75%) e Educação (70%). E está insatisfeita com a qualidade dos serviços que recebe.

No caso de hospitais públicos, eles são reprovados por 78% das pessoas ouvidas na pesquisa.

No caso do ensino fundamental e médio, por 60%.

O nível do ensino superior divide os pesquisados: 42% o consideram adequado; 45%, baixo.

As instituições nas quais a classe média mais confia são: família (83%), igreja (60%), presidente (51%), empresas (33%), Justiça (24%), deputados e senadores (11%).

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Vejam lá os índices de reprovação dos serviços públicos. E isto que a pesquisa se concentrou em pessoas com variável de renda que, por aqui, cretinamente, se considera como média. Mas deixemos este "aspecto" de lado.

Ocorre que nesta faixa, muitos dos serviços públicos são substituídos por privados, quando o grau de dependência é menor e, em consequência, com menor impacto na avaliação.

Porém, se formos pesquisar nas faixas mais baixas de renda onde a dependência da população aos serviços públicos é quase total, os índices tendem a ser mais negativos ainda. 

É com base nestas avaliações sobre a qualidade dos serviços públicos que fica difícil digerir como pode um governo, cujos serviços básicos são pessimamente avaliados pelo conjunto majoritário da sociedade, contraditoriamente,  desfrutar dos índices de aprovação como dizem ter a senhora Dilma. Isto já havia ocorrido com Lula. 

Convenhamos, alguma coisa nesta história está muito mal contada, ou avaliada...  

Mas há uma coisa que preocupa mais ainda, quando 51% das pessoas consultadas afirmam concordarem com a expressão “Prefiro uma ditadura competente a uma democracia incompetente”. O que estarão tentando plantar no Brasil, que a população agora aceitaria, pacificamente, uma ditadura ao invés de uma democracia?  E, sendo assim, aceitaria esta mesma população um golpe de estado contra o regime de liberdades?

Seria bom que alguma entidade, sem dependência alguma com o poder público, encomendasse a algum instituto idôneo a mesma pesquisa para aferir-se o resultado. Sendo uma pesquisa encomendada pelo próprio governo e ao Data Popular, com o resultado que acima se divulga, e com a colocação de uma pergunta como esta que destacamos, há que se suspeitar fortemente não apenas das intenções do governo petista que encomendou uma pesquisa com uma pergunta esquisita, como também da seriedade do tal instituto que realizou e aferiu os resultados.