Míriam Leitão
O Globo
A presidente Dilma teve um encontro com três economistas - Delfim Netto, Luiz Gonzaga Belluzzo e Yoshiaki Nakano - que já passaram pelo governo e pensam parecido. Senti falta de diversidade de pensamento.
Na hora de combater a inflação, Dilma deveria ouvir também os "adversários", economistas que ela pensa serem de grupos com ideias diferentes. Para um presidente, é melhor ouvir pessoas das quais se discorda, outras vozes, e não aquelas que vão dizer que você está certo. Ou seja, gente que não está próxima do governo, que pode dizer coisas diferentes.
Mas ouvir economista é bom, porque a situação não é simples; não há remédio que resolva o problema sem efeito colateral.
Nesse momento, a inflação está alta demais. No IPCA estourou o teto da meta, e a inflação de alimentos está batendo fortemente no bolso do consumidor.
O dilema não é simples: subir juro para combater a inflação? Mas as famílias estão com muitas dívidas; parte da renda está comprometida. Uma elevação da taxa pode criar um problema de aumento da inadimplência. Recentemente, o BC mudou o termômetro, a maneira de medir o calote, mas ele está alto de qualquer jeito.
O BC está diante desse dilema: se subir os juros, além de afetar os endividados, pode comprometer o pouco crescimento; se não fizer nada, a inflação cresce, tomando a capacidade de consumo das famílias.
Fala-se por aí em mudança da meta da inflação para cima. Isso seria perigoso. Na semana passada eu estive com o ministro Guido Mantega, mas não ouvi nada que sugerisse que ele gostasse dessa ideia. Achei-o muito desconfortável com a inflação. Ele estava querendo combater a ideia de que esteja tomando decisões de desoneração apenas para reduzir o índice. Ele refutou a ideia de que temos de aceitar inflação alta.