sexta-feira, abril 12, 2013

Nas arenas brasileiras, assentos da China. Pois é, bom para ... os empregos chineses.


Ricardo Setti
Veja online

Empresa brasileira que fornece assentos de poliéster para arenas da Copa do Mundo importa da China em vez de fabricar no Brasil

(Foto: copa2014.gov.br)
 A Arena Itaipava-Fonte Nova, em Salvador: 
os assentos de plástico azul fornecidos por empresa
 brasileira foram, na verdade, importados da China 

Amigas e amigos do blog, já publiquei aqui o link para uma excelente reportagem do jornalista Giancarlo Lepiani sobre Ronaldo Fenômeno, seu envolvimento com a organização da Copa do Mundo de 2014, suas múltiplas atividades e a possibilidade de, ao exercê-las — como, por exemplo, a função de comentarista da Rede Globo para a Copa das Confederações e a própria Copa do Mundo — enfrentar complicados conflitos de interesse.

Queria chamar a atenção de vocês para um trecho da reportagem de Lepiani sobre um dos negócios do jogador e a respeito do qual acrescentarei uma informação importante. Leiam, por favor:

“O dinheiro (…) há muito deixou de ser uma prioridade. O patrimônio acumulado durante a carreira de jogador, estimado em um bilhão de reais, é a garantia de uma vida de conforto e luxo aos seus quatro filhos (Ronald, Maria Sofia, Maria Alice e Alex) e gerações de futuros descendentes.

Conservador em seus investimentos – nesta semana, revelou que poupa 80% de tudo o que ganhou e investe apenas 20% na 9nine  [sua empresa de comunicação focada em marketing esportivo] e em outros negócios -, Ronaldo lembra que está “com a vida ganha” e que, portanto, não precisa usar sua influência em benefício financeiro próprio.

De fato, é difícil imaginar que o ex-craque recorreria a expedientes nebulosos para conseguir um novo cliente ou fechar um novo contrato – simplesmente porque ele não precisa de dinheiro e nunca foi um sujeito ganancioso. Como qualquer superatleta, porém, Ronaldo tem um temperamento muito competitivo e sente prazer em vencer desafios. É justamente assim que ele encara a condução dos negócios da 9nine.

O trabalho na agência foi tão satisfatório para Ronaldo que a traumática aposentadoria como jogador, anunciada em 2011, foi superada num prazo relativamente curto. A empresa, portanto, precisa seguir crescendo para manter o principal sócio sorrindo.

Uma suspeita: as cadeiras de duas novas arenas
E as oportunidades de negócio apresentadas pela Copa são intermináveis e tentadoras. Uma das primeiras suspeitas em torno da atuação de Ronaldo nos bastidores da organização do evento foi a vitória da Marfinite na disputa para fornecer as cadeiras da Arena Itaipava Fonte Nova, estádio erguido com dinheiro público, em Salvador.

A empresa foi escolhida mesmo não tendo a certificação obrigatória do Inmetro, responsável pelas normas técnicas que devem ser seguidas no país. Meses antes, a empresa havia fechado um contrato com a 9ine – com participação direta do ex-craque nas negociações.

Ronaldo negou ter influenciado na escolha da Marfinite pelos baianos. Os clientes de Ronaldo deverão fabricar os assentos de mais um estádio do Mundial: o Itaquerão, futura casa do Corinthians, último clube da carreira do jogador. Andrés Sanchez, ex-presidente corintiano que virou amigo e grande aliado do ex-craque, é o principal responsável pela condução da obra.”

* * * * * * * * * * * * * * * * *
Pois bem, amigas e amigos: haja ou não irregularidades, existe um detalhe que ainda não foi divulgado. A Marfinite não está fabricando os assentos no Brasil (mais precisamente em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo) e dando emprego aos brasileiros, como supõe o governo com todas as obras da Copa.

As cadeiras — posso garantir — estão sendo importadas sem alarde da China, e, portanto, dando emprego para chineses e dinheiro para a indústria de lá.

Ronaldo nega ter influenciado na escolha da Marfinite, empresa que é sua cliente, pela Arena Itaipava. Não discuto isso.

Mas a Marfinite não tem a necessária certificação para os assentos da Copa, conforme informou o Lauro Jardim.

E quem “fabrica” os assentos de poliéster resistente é uma fábrica da China – isso afirmo, sim, com todas as letras. Só não revelo a fonte, mas ela é absolutamente confiável.