Ricardo Setti
Veja online
Empresa brasileira que fornece assentos de poliéster para arenas da Copa do Mundo importa da China em vez de fabricar no Brasil
(Foto: copa2014.gov.br)
A Arena Itaipava-Fonte Nova, em Salvador:
os assentos de plástico azul fornecidos por empresa
brasileira foram, na verdade, importados da China
Amigas e amigos do blog, já publiquei aqui o link para uma excelente reportagem do jornalista Giancarlo Lepiani sobre Ronaldo Fenômeno, seu envolvimento com a organização da Copa do Mundo de 2014, suas múltiplas atividades e a possibilidade de, ao exercê-las — como, por exemplo, a função de comentarista da Rede Globo para a Copa das Confederações e a própria Copa do Mundo — enfrentar complicados conflitos de interesse.
Queria chamar a atenção de vocês para um trecho da reportagem de Lepiani sobre um dos negócios do jogador e a respeito do qual acrescentarei uma informação importante. Leiam, por favor:
“O dinheiro (…) há muito deixou de ser uma prioridade. O patrimônio acumulado durante a carreira de jogador, estimado em um bilhão de reais, é a garantia de uma vida de conforto e luxo aos seus quatro filhos (Ronald, Maria Sofia, Maria Alice e Alex) e gerações de futuros descendentes.
Conservador em seus investimentos – nesta semana, revelou que poupa 80% de tudo o que ganhou e investe apenas 20% na 9nine [sua empresa de comunicação focada em marketing esportivo] e em outros negócios -, Ronaldo lembra que está “com a vida ganha” e que, portanto, não precisa usar sua influência em benefício financeiro próprio.
De fato, é difícil imaginar que o ex-craque recorreria a expedientes nebulosos para conseguir um novo cliente ou fechar um novo contrato – simplesmente porque ele não precisa de dinheiro e nunca foi um sujeito ganancioso. Como qualquer superatleta, porém, Ronaldo tem um temperamento muito competitivo e sente prazer em vencer desafios. É justamente assim que ele encara a condução dos negócios da 9nine.
O trabalho na agência foi tão satisfatório para Ronaldo que a traumática aposentadoria como jogador, anunciada em 2011, foi superada num prazo relativamente curto. A empresa, portanto, precisa seguir crescendo para manter o principal sócio sorrindo.
Uma suspeita: as cadeiras de duas novas arenas
E as oportunidades de negócio apresentadas pela Copa são intermináveis e tentadoras. Uma das primeiras suspeitas em torno da atuação de Ronaldo nos bastidores da organização do evento foi a vitória da Marfinite na disputa para fornecer as cadeiras da Arena Itaipava Fonte Nova, estádio erguido com dinheiro público, em Salvador.
A empresa foi escolhida mesmo não tendo a certificação obrigatória do Inmetro, responsável pelas normas técnicas que devem ser seguidas no país. Meses antes, a empresa havia fechado um contrato com a 9ine – com participação direta do ex-craque nas negociações.
Ronaldo negou ter influenciado na escolha da Marfinite pelos baianos. Os clientes de Ronaldo deverão fabricar os assentos de mais um estádio do Mundial: o Itaquerão, futura casa do Corinthians, último clube da carreira do jogador. Andrés Sanchez, ex-presidente corintiano que virou amigo e grande aliado do ex-craque, é o principal responsável pela condução da obra.”
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Pois bem, amigas e amigos: haja ou não irregularidades, existe um detalhe que ainda não foi divulgado. A Marfinite não está fabricando os assentos no Brasil (mais precisamente em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo) e dando emprego aos brasileiros, como supõe o governo com todas as obras da Copa.
As cadeiras — posso garantir — estão sendo importadas sem alarde da China, e, portanto, dando emprego para chineses e dinheiro para a indústria de lá.
Ronaldo nega ter influenciado na escolha da Marfinite, empresa que é sua cliente, pela Arena Itaipava. Não discuto isso.
Mas a Marfinite não tem a necessária certificação para os assentos da Copa, conforme informou o Lauro Jardim.
E quem “fabrica” os assentos de poliéster resistente é uma fábrica da China – isso afirmo, sim, com todas as letras. Só não revelo a fonte, mas ela é absolutamente confiável.
