Ricardo Setti
Veja online
Controvertida, polêmica, a maior estadista britânica desde Churchill ajudou a colocar abaixo o Muro de Berlim e a mudar o mundo — para melhor
(Foto: telegraph.co.uk)
Thatcher: mudou o Reino Unido
e ajudou a mudar o mundo -- para melhor
O que é que vou escrever sobre Margaret Thatcher, depois de uma cobertura de qualidade como a do site de VEJA, depois do que escreveram o Reinaldo Azevedo e o Caio Blinder?
Mas não se pode silenciar quando um gigante tomba — e a primeira-ministra que governou o Reino Unido de 1979 a 1990 e, como muito se lembrou hoje, alterou a agenda do grande país a ponto de mudar os rumos do próprio partido adversário era, efetivamente, uma estadista de porte gigantesco.
Pode-se concordar ou não com Thatcher, sua agenda liberalizadora, sua determinação férrea — daí o apelido –, sua autoconfiança não raro transmudada em arrogância.
Não se pode, porém, negar a brutal importância que teve para seu país, que ela retirou do atraso estatista rumo a uma economia extremamente dinâmica a ponto de empresários britânicos dominarem, hoje, setores inteiros da economia da nação mais rica do mundo, os Estados Unidos. Thatcher colocava em segundo planos os grandes custos sociais que resultaram do enxugamento do Estado por considerar que o capitalismo, devidamente livre de amarras, cria riqueza suficiente para que a sociedade dê um salto conjunto de qualidade.
No poder, conseguiu o que um ou outro antecessor conservador timidamente havia tentado, como Edward Heath (1970-1974), em vão: quebrar a espinha dos sindicatos, que mandavam e desmandavam em setores-chave da economia, não admitiam modernizações de qualquer espécie que implicassem em perda de empregos, paralisavam o país a três por dois e controlavam o Partido Trabalhista, a única alternativa de poder ao Partido Conservador.
O Reino Unido não tinha um estadista de grande porte desde Winston Churchill, um dos maiores senão o maior do século XX, que governou a Grã-Bretanha de 1940 a 1945 — foi um dos vencedores do maior conflito militar da história, a II Guerra Mundial — e, depois, de 1951 a 1955. E nem teve, depois dela.
Sua firme postura de confrontação com a União Soviética e o bloco comunista, ao lado do presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan — e com a contribuição inequívoca do papa João Paulo II –, revelou-se importante para a derrubada do Muro de Berlim e o fim das ditaduras “socialistas” que oprimiam a Europa Oriental.
Até na América Latina sua firmeza se fez sentir, ao derrotar implacavelmente em 1982, numa guerra rápida e cruenta, a ditadura militar argentina que determinou uma invasão suicida das ilhas Malvinas/Falkland, território britânico desde 1833 — a guerra teve como saldo positivo o fim da ditadura e a volta da democracia ao país vizinho.
Não se poderá, no futuro, falar na história mundial do século XX sem incluir um nutrido capítulo sobre Margaret Thatcher. Com o fim das ditaduras comunistas e a chegada da democracia e a melhoria nas condições de vida na maior parte dos países da Europa Oriental — vários deles, hoje, integrando a União Europeia –, o mundo mudou, muito. E para melhor.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Impossível não traçar um paralelo do Reino Unido de antes de Margareth Tatcher com o Brasil que o PT vai moldando, verdadeiro retrocesso. E nem venham querer comparar a estadista britânica com a soberana brasileira atual. A primeira, lutava bravamente, às vezes até com rispidez, por um ideal de modernidade, o provoca alaridos de todos os lados, resistências e obstáculos daquelas coisinhas que aproveitam o caos para prosperarem, mas às custas da miséria da maioria. O único ideal que move Dilma Rousseff é o de poder, mesmo que tenha de decidir contra o interesse do país, daí porque, por mais que faça, jamais conseguirá atingir o status de estadista.
A arrogância de Dilma vai muito além de um mero choque de ideias e princípios. Seu jeito obsessivo de impor sua vontade a qualquer custo, não serve de respaldo para sua falta de polidez, sua falta de educação, suas desmedidas grosserias para com os que a cercam. É falta de educação mesmo.
Mas aquele Reino Unido com uma economia medieval e em frangalhos, gerida e dirigida por interesses puramente corporativos e alimentados por um sindicalismo retrógrado e primitivo, lembra muito o Brasil destes tempos de PT.
