quarta-feira, maio 22, 2013

As lições da Aliança do Pacífico para o Brasil


Valéria Maniero 
O Globo 

O jornal colombiano Portafolio diz que a Aliança do Pacífico - o bloco regional formado por Colômbia, Chile, México e Peru que dará um passo importante esta semana - quer ser a "locomotiva da economia latino-americana e a porta de entrada para a Ásia com uma fórmula simples: integração total entre os seus membros, grande crescimento econômico, zero retórica e plena segurança jurídica".

Segundo o "El Universal", do México, os presidentes dos respectivos países vão formalizar a aliança que os colocará "na vanguarda da economia regional, abrindo-lhes múltiplas possibilidades de trocas comerciais a nível global". Mais adiante, o mesmo "El Universal" afirma que eles darão vida ao "ambicioso bloco comercial que busca a integração entre os países e facilidades para o ingresso nos mercados asiáticos".

Há muitas expectativas, como se vê, em relação ao bloco, que anunciará na próxima quinta-feira, durante a cúpula que será realizada em Cali, na Colômbia, a liberalização de 90% do comércio interno - ou seja, 90% dos produtos comercializados entre eles terão as tarifas de importação eliminadas - e fixados prazos para que o mesmo ocorra com os 10% restantes.

Já é um avanço importante, mas eles querem muito mais que redução de tarifas. Falam em "uma área de integração profunda para avançar em direção à livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas".

"É a proposta de integração mais ambiciosa que temos visto em décadas", como definiu o presidente do BID, o colombiano Alberto Moreno, em artigo publicado no "El Universal", em que explica o que já foi feito durante o primeiro ano do bloco e o que está previsto.

Ele destaca que esses países, juntos, somam mais de 200 milhões de pessoas; um PIB perto de US$ 2 bilhões e quase a metade do exportado por toda a América Latina e Caribe. E se eles fossem uma só nação, "seriam a 9ª economia".

- Se as taxas atuais de crescimento se mantiverem, em uma década, o PIB total chegaria a quase US$ 3 bi. Se todos fizerem esforços similares, alcançaremos muito mais rapidamente o objetivo de transformar-nos em uma região de classe média sólida e próspera - diz Moreno.

O presidente do BID dá exemplos do que pode vir a acontecer na região, por conta da Aliança do Pacífico:
- Uma empresa farmacêutica fabrica medicamentos com componentes feitos em diversos países para exportar para a Ásia. Jovens cruzam fronteiras com facilidade para exercer suas profissões, porque seus títulos universitários são reconhecidos em todos os nossos países. Tais cenários ainda parecem utópicos, mas para Chile, Colômbia, México e Peru pode virar realidade em breve - diz.

Vários outros países participarão da cúpula de Cali como estados observadores. Está todo mundo de olho. É o caso de Canadá, Espanha, Guatemala, Panamá, Costa Rica, Austrália, Japão, Nova Zelândia, Uruguai.
Tudo isso mostra que os nossos vizinhos estão se mexendo, fazendo acordos comerciais, enquanto o Brasil deixa o tempo passar. Que ele tire algumas lições dessa experiência levada adiante por Colômbia, Chile, México e Peru.