sábado, maio 18, 2013

Avanço da 'prévia do PIB' ainda não anima os economistas


Talita Fernandes
Veja online

Analistas acreditam que IBC-Br indica aceleração da economia no 1º tri. Mas são unânimes: isso não garante que o Brasil seguirá crescendo ao longo do ano

Divulgação 
Apesar de positivo, dado divulgado nesta quinta pelo BC 
ainda mantêm dúvidas sobre crescimento econômico do país

Os avanços registrados pelo  Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em março, de 0,72% no mês e 1,05% no primeiro trimestre, foram recebidos com cautela por economistas consultados pelo site de VEJA. Considerado uma prévia do Produto Interno Bruto do país, que será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 29, o indicador, ainda que em alta, não garante que a economia brasileira terá fôlego para seguir crescendo até o final deste ano - e atingir o porcentual de 3% esperado pelo mercado.

Para justificar a falta de otimismo, o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, lembra que o índice é composto pela combinação de dados do varejo e da indústria, que tiveram comportamentos divergentes no primeiro trimestre. Apesar de a indústria ter mostrado uma recuperação em março, a balança comercial e o varejo não registraram bons números no período. "É preciso ficar atento à queda das vendas nos supermercados. Isso mostra que o consumo das famílias não vai continuar crescendo para sustentar uma taxa de 3%." Ao comentar a queda de 0,10% das vendas no varejo em março, Perfeito faz um alerta para o modelo de estímulo ao crescimento econômico adotado pelo governo, baseado no consumo das famílias: "Isso deixa claro que o dinamismo da demanda doméstica está menos robusto. Pode ser o fim de um ciclo puxado pela demanda das famílias."

O economista repete o que vem sendo dito por vários membros do mercado, que o crescimento também precisa ser sustentado com base em investimentos. "O governo está com dificuldades para estimular o empresariado", completa Perfeito. "O indicador sugere que o crescimento pode ter sido mais robusto do que o do quarto trimestre de 2012, mas eu sugiro cuidado, porque o IBC-Br já enganou o mercado algumas vezes. Além disso, no primeiro trimestre tivemos um déficit comercial muito ruim", lembra. 

O tom de cautela também é reforçado pela economista do Santander Fernanda Consorte. "É dúbia a aceleração da economia. Devemos ver uma aceleração concentrada e não distribuída". Sobre os dados do varejo, Fernanda diz que "os números de março, embora não tenham sido muito bons em varejo, mostraram melhora em relação a janeiro e fevereiro". Os analistas do Santander esperam uma alta de 0,8% do PIB nos primeiros três meses de 2013 e de 2,8%, no ano.

Com base em dados divulgados recentemente, Fernanda aposta em forte resultado do setor de agronegócios no PIB do primeiro trimestre e de queda nos dados de consumo. Sob a ótica da demanda, a economista prevê um crescimento na formação bruta de capital fixo (FBCF), ou seja, nos investimentos, com base em dados no aumento da produção de bens de capital. Para ela, o dado divulgado nesta quinta indica que haverá, sim, uma expansão da economia brasileira em relação ao último trimestre de 2012, contudo, ainda há dúvida sobre se isso será mantido.